segunda-feira, 9 de novembro de 2015

A mercantilização do licenciamento ambiental como origem dos desastres ambientais


November 9, 2015

Personalidade Sustentável

É triste escrever este texto, mas precisamos ser realistas e analisar a fundo o que realmente acontece no gerenciamento ambiental deste país. Desde o início dos meus estudos na área de licenciamento ambiental escutei de meus professores - muitos deles, técnicos licenciadores de órgãos ambientais - que o processo de licenciamento ambiental acaba sendo uma mera burocracia, ou seja, no fundo, não se cuida ou protege o meio ambiente  e muito menos a sociedade através deles.

Quando acontece um desastre como o da barragem de rejeitos da mineradora que se rompeu recentemente desabrigando e matando inúmeras pessoas eu sinto vontade de ter acesso a cada discussão que aconteceu no processo de licenciamento ambiental. Gostaria de ver cada atitude negligente , casa tenha existido, com nome  e número de documento de cada um. Tudo isso para que cada omisso e irresponsável junto com a empresa pague aos desabrigados e afetados por este dano que chega a ser ridículo de tão grave que é. Milhares de pessoas ficarão sem água ou pior consumirão água tóxica, isso não pode simplesmente ser esquecido em alguns meses.

Foto: Reprodução de: HUGO CORDEIRO/AGENCIA NITRO/ESTADÃO CONTEÚDO
Este acidente deve se tornar um divisor de águas entre o que queremos e o que não queremos passar e deve nos fazer repensar a que custo vamos continuar consumindo tendo como base atividades de tão alto risco como o caso desta mineradora. Eu, você, todos nós consumimos produtos que dependem de atividades de mineração para existir, talvez seja hora de pensarmos em como deixar de consumir estes produtos ou pelo menos reduzir.

Temos diversos processos, em andamento,  de licenciamento ambiental de mineração em áreas de produção de água, por exemplo, na região metropolitana de São Paulo  em áreas de proteção de mananciais. A pergunta que eu te faço leitor é muito simples, você quer beber água ou minério? Enfim eu acredito que os estudos precisam ser mais aprofundados, não dá para contar com técnicos que apenas afirmam que mineração é utilidade pública; ok é utilidade pública , mas do que eu abro mão quando opto por certos tipos e locais de mineração? da água? da minha casa? da minha saúde?

Os empreendimentos precisam ser mais seriamente discutidos. No caso do minério de ferro este  é a matéria-prima do aço, que por sua vez  é usado na produção de ferramentas, máquinas, veículos de transporte, linhas de transmissão de energia elétrica, e mais uma infinidade de coisas importantes para o dia a dia da sociedade . Enfim eu não tenho , ainda, uma posição contrária a mineração, mas não gosto da maneira como os processos de licenciamento ambiental dela têm sido conduzidos. Precisamos mudar.

O licenciamento ambiental se tornou um mercado em que grupos políticos  manipulam os processos e infelizmente existem técnicos dispostos a assinar, emitir pareceres irresponsavelmente  sendo a favor de atividades e empreendimentos que são altamente degradadores e desprotegem a população, com o único objetivo de garantir o mercado de pseudo políticos que buscam propina e votos.

Parece que não, mas uma reforma política decente - não esta ridícula recentemente em andamento no legislativo - poderia ajudar inclusive a reduzir a mercantilização do licenciamento ambiental; uma coisa leva a outra.

Enfim, ainda não sabemos até que ponto houve corrupção, vista grossa e culpa em relação ao ocorrido, mas obviamente empreendimentos como este não podem mais existir. Precisamos achar alternativas ao nosso atual sistema de desenvolvimento; sistema este que claramente é uma porcaria. 

Fonte

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Revista editada por docente da UEPB é indexada à maior base de documentos científicos do mundo

30 out 2015
 


A Revista “Ethnobiology and Conservation”, publicação científica editada pelos professores Rômulo Alves, da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e Ulysses Albuquerque, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), acaba de ser indexada na Scopus, a maior base de dados e documentos científicos do mundo, que conta com 46 milhões de registros, aproximadamente 19.500 títulos de 5 mil editoras ao redor do mundo.
 
A inclusão de novos periódicos na base é feita mediante cuidadoso processo de análise do conteúdo publicado. Os editores consideram que a aceitação e o ingresso da Ethnobiology and Conservation na base é um reconhecimento de sua relevância científica na área de etnobiologia e conservação da natureza.
 
“É um reconhecimento importante para nossa revista, que conta com um corpo editorial formado por vários pesquisadores do Brasil e do mundo, o que tem contribuído para que a revista cumpra um papel importantíssimo na produção do conhecimento científico”, afirma o professor Rômulo Alves.
 
Ele ressalta a que a indexação na base Scopus é uma conquista fundamental para qualquer revista cientifica que busca alcançar um padrão de qualidade internacional, uma vez que confere maior visibilidade aos pesquisadores que publicam na revista. Para ilustrar isso, o professor ressalta que o Sistema QUALIS-CAPES, que avalia a produção cientifica dos programas de pós-graduação no Brasil, considera a indexação nessa base de dados como um dos fatores indicativos de qualidade dos periódicos científicos.
 
“Ficamos contentes pelo fato de nossa revista, apesar de ainda jovem, ter alcançado um padrão de qualidade internacional”, comentou o professor Ulysses Albuquerque. Ressalta-se que todo o conteúdo publicado na revista, a partir do ano de sua criação, foi totalmente indexado.
 
Além do Scopus, Ethnobiology and Conservation está registrada em outras bases de dados como Latindex, Index Copernicus, Google Scholar e GFMER. Atualmente, a revista está em avaliação pela Thomson Scientific (ISI Web of knowledge, Science Citation Index, Web of Science.
 
Sobre a Revista
Ethnobiology and Conservation publica contribuições originais em todos os campos da etnobiologia e conservação da natureza. Faz parte do escopo da EC contribuições envolvendo conhecimento ecológico tradicional, ecologia humana, etnoecologia, etnofarmacologia e antropologia ecológica, história e filosofia da ciência. Contribuições na área da Conservação da Natureza podem envolver estudos que normalmente situam-se no campo dos estudos ecológicos tradicionais, como também em biologia vegetal e animal, etologia, manejo de fauna e flora, aspectos éticos e legais voltados para a conservação da biodiversidade.

Todavia, todos os textos devem explicitamente enfocar a sua contribuição para a conservação da natureza. Textos meramente descritivos sem uma discussão teórica contextualizada dos achados, embora possam ser aceitos, não recebem prioridade para publicação. Mais detalhes sobre a revista e artigos publicados, podem ser obtidos através do link http://ethnobioconservation.com/index.php/ebc/issue/current.

Colaboração: professor Rômulo Alves

 
 

domingo, 30 de agosto de 2015

Consulta pública sobre Ética na Pesquisa

A Associação Brasileira de Ensino de Biologia - SBEnBio divulgou nesse domingo (23/8) nota chamando seus associados e pesquisadores de Ciências Biológicas a participarem da consulta pública referente à Minuta de Resolução Complementar à Resolução do Conselho Nacional de Saúde (CNS) nº 466/2012, que diz trata das “Especificidades Éticas das Pesquisas nas Ciências Sociais e Humanas e de outras que se utilizam de metodologias próprias dessas áreas”.
 
Considerando as atribuições do Biólogo, esse profissional é um dos indicados para responder a essa consulta pública, que poderá modificar os rumos da execução das pesquisas no Brasil, principalmente considerando os abusos e violação dos direitos humanos cometidos contra os sujeitos da pesquisa em nome da pesquisa científica.
 
Nesse sentido, os Biólogos têm o dever de possuir os fundamentos teóricos, históricos, metodológicos, científicos e políticos firmes em defesa de uma determinada concepção de ética e dos direitos humanos, podendo contribuir de maneira qualificada para o debate sobre a pesquisa na área das Ciências Humanas e Sociais.
 
As contribuições ao texto devem ser enviadas por e-mail (conep.csh@saude.gov.br) até o dia 4 de setembro de 2015. 
 
Clique aqui para ler a íntegra do documento, ou leia abaixo:
 
 
 

sábado, 1 de agosto de 2015

Profissionais e ambientalistas discutem em João Pessoa a gestão ambiental e a sustentabilidade




A Cidade de João Pessoa será mais uma vez o palco da edição do Congresso Brasileiro de Gestão Ambiental e Sustentabilidade - Congestas 2015, que tem o objetivo de debater a importância da gestão ambiental para a garantia do meio ambiente ecologicamente equilibrado e socialmente justo para esta e para as próximas gerações. O evento será realizado em João Pessoa (Paraíba), no Auditório da Reitoria da Universidade Federal da Paraíba, no período de 9 a 11 de dezembro de 2015, com o apoio da Universidade Federal da Paraíba, da Superintendência de Administração do Meio Ambiente (SUDEMA), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recusros Naturais Renováveis (IBAMA), da Secretaria de Meio Ambiente de João Pessoa (SEMAM), da Secretaria de Meio Ambiente e Pesca de Cabedelo (SEMAPA), do Conselho de Arquitetura e Urbanismo da Paraíba (CAU/PB), do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente (PRODEMA/UFPB), da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), da Federação das Indústrias da Paraíba (FIEP), da Rede de Educação Ambiental da Paraíba (REA/PB) e de outros parceiros.

Os resumos e resumos estendidos, a serem apresentados na versão 2015 do Congresso Brasileiro de Gestão Ambiental e Sustentabilidade - Congestas 2015, poderão ser enviados, exclusivamente por meio eletrônico, até o dia 20 de outubro de 2015, e devem estar relacionados com um dos eixos temáticos do Congestas 2015, ET-01 - Gestão Ambiental, ET-02 - Gestão de Áreas Protegidas, ET-03 - Gestão de Resíduos Sólidos, ET-04 - Gestão Ambiental em Saneamento, ET-05 - Meio Ambiente e Recursos Naturais, ET-06 - Recuperação de Áreas Degradadas, ET-07 - Tratamento de Efluentes Sanitários e Industriais, ET-08 - Recursos Hídricos, ET-09 - Energia, ET-10 - Direito Ambiental, ET-11 - Poluição do Ar, ET-12 - Poluição Sonora, ET-13 - Educação Ambiental, e ET-14 - Outros. Todos os trabalhos aceitos serão publicados nos Anais do Congestas 2015 (ISSN 2318-7603) em meio digital.

Para a participação das atividades do Congresso Brasileiro de Gestão Ambiental e Sustentabilidade - Congrestas 2015, que incluirão palestras, mesas-redondas e apresentação de trabalhos, estão sendo esperados profissionais da Bahia, Brasília, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Roraima, entre outros Estados.




domingo, 26 de julho de 2015

Cobra fóssil descrita por cientista estrangeiro foi possivelmente saqueada do Ceará

Por hugofernandesbio em Ciência e Política
Esse artigo, inicialmente, era para dar ênfase a uma descoberta extraordinária: a descrição de um fóssil de serpente com quatro patas, publicada ontem (23/07) na conceituada revista Science (veja detalhes do artigo original aqui). O exemplar é proveniente da Bacia do Araripe, no sul do estado do Ceará.

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Representação gráfica de Tetrapodophis amplectus
(Reprodução / Nature / Julius Cstonyu)
Serpentes (ou cobras, como preferirem) são animais que descendem de lagartos ancestrais. Isso não era nenhuma novidade. A presença de vestígios de patas posteriores pode ser observada no esqueleto de algumas espécies viventes como a jibóia (Boa constrictor) e principalmente em diversos fósseis que contam com patas traseiras relativamente bem desenvolvidas. Além disso, análises moleculares complexas corroboram essas afirmações.
 
O grande diferencial desse artigo, de autoria principal do paleontólogo britânico David Martill e de mais dois pesquisadores, é que o fóssil, nomeado Tetrapodophis amplectus, é de uma espécie com quatro patas, dedos e garras, enquanto todas as publicações antecedentes tinham revelado apenas espécies com patas posteriores e que portanto já haviam perdido ou reduzido as anteriores. A fotografia revela um fóssil perfeito, em excelente estado de conservação, um verdadeiro “elo perdido”.
 
É aí que começa a polêmica e, por isso, resolvi mudar um pouco o foco desse texto. De acordo com Martill, o exemplar estava depositado  no museu alemão Bürgermeister-Müller e era originalmente oriundo de uma coleção particular. Mais um gol da Alemanha? Sim, mas tudo indica que “havia impedimento” dessa vez. O problema é que nunca houve autorização para que esse fóssil saísse do Brasil. A outra única forma legal para sua exportação é se ele tiver sido coletado antes de 1942, ano em que ficou proibida a comercialização de fósseis no país. É isso que alega o pesquisador, que afirmou que o espécime ali estava por várias décadas. Mas não há qualquer dado anexado que demonstre a data do depósito.
 
Chegamos então em um ponto importante. Um fóssil em tão perfeitas condições e que claramente ilustra um passo importante para a Ciência, facilmente observável por qualquer paleontólogo especialista no grupo, dificilmente passaria tanto tempo despercebido.
 
Max Langer, da Sociedade Brasileira de Paleontologia e Felipe Chaves, chefe da divisão de proteção de depósitos fossilíferos do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), concederam entrevistas a alguns órgãos de imprensa afirmando que, “muito provavelmente”, esse fóssil tenha saído por vias ilegais.
 
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Fóssil de Tetrapodophis amplectus provavelmente saqueado (Reprodução / Nature).

O “muito provavelmente” é aplicado porque de fato não há provas para isso. O que fazer? Exigir do autor e do museu que mostrem as provas de que houve legalidade na ação. Cabe ao Governo Brasileiro uma atitude enérgica contra uma atividade que há séculos vem tolhendo a produção científica brasileira. Quadrilhas especializadas ainda atuam na retirada de fósseis na Bacia do Araripe, indubitavelmente um dos sítios arqueológicos mais importantes do mundo, principalmente para o Cretáceo. Os maiores beneficiados são colecionadores particulares e pesquisadores estrangeiros. É preciso que se esgotem os esforços para saber se esse “muito provavelmente” não é, na realidade, um “com certeza absoluta”.

Em entrevista a algumas fontes, Martill afirma que “não se importa com a procedência do material”, pois isso não é motivo para atravancar a Ciência. De fato, a Ciência não pode ser engessada por trâmites burocráticos fúteis (a exemplo de vários requerimentos que nós, pesquisadores brasileiros, temos que solicitar para fazer pesquisa aqui). Entretanto, uma das premissas científicas é pautada pela ética. Importar-se com a procedência, nesse caso, é um grande exemplo. Uma vez que o material está depositado de forma irregular em outro país, é preciso que ele seja repatriado ao seu país de origem. Não é questão de lei e sim de princípios. Cabe pontuar ainda que Martill é um pesquisador conhecido por criticar as atuais leis brasileiras de proteção ao patrimônio genético, além de ser assumidamente comprador de fósseis. A própria Sociedade Brasileira de Paleontologia já se colocou contra alguns de seus posicionamentos (confira aqui).

Isso também não exime o Governo da culpa pelo histórico enorme de descaso em relação às riquezas naturais, paleontológicas e arqueológicas do Brasil. Parques Nacionais estão às mínguas, sem segurança, sem estrutura e com pouco incentivo  à pesquisa.

A descoberta desse fóssil é um mini retrato da final da Copa do Mundo de 2014. A vitória foi da Alemanha, o mundo todo gostou de ver e só o Brasil ficou chorando. E, pelo jeito, ainda vai chorar muito.


domingo, 7 de junho de 2015

É terrivelmente fácil enganar milhões de pessoas com pesquisas científicas fajutas

3 de junho de 2015 às 9:26

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Você deve ter lido alguma coisa sobre a suposta dieta que trazia resultados mais rápidos ao incluir chocolate no cardápio. As matérias sobre a tal dieta se baseavam em uma pesquisa do Instituto de Dieta e Saúde (Institute of Diet and Health) e eram de autoria do médico alemão e diretor do instituto Johannes Bohannon. Ela foi publicada por revistas científicas e divulgada mundialmente em sites, revistas e programas de TV. E ela não passou de uma grande mentira.

Johannes Bohannon e o Instituto de Dieta e Saúde não passam de invenções do jornalista John Bohannon. Ele criou o site do instituto e publicou o estudo para expor como é fácil divulgar um estudo científico duvidoso.

O estudo O jornalista explica no io9 que a pesquisa foi encomendada por um canal de televisão alemão. Uma equipe do canal produzia um documentário sobre a ciência fajuta da indústria da dieta, que transformam ciência ruim, barata e duvidosa em grandes manchetes em jornais. E, tirando os resultados, tudo foi feito como uma pesquisa de verdade: com médicos, um profissional de estatística e objetos de pesquisa — pessoas dispostas a participar da dieta.

Os sujeitos participantes da pesquisa — 5 homens e 11 mulheres, de 19 a 67 anos — receberam 150 euros cada e foram informados que o estudo fazia parte de um documentário sobre dietas e nada mais.

A escolha do chocolate amargo veio do médico responsável pelos exames clínicos da pesquisa. Gunther Frank, clínico geral e autor de um livro contra a pseudociência por trás de dietas, explica: “Chocolate amargo tem gosto ruim, e por isso as pessoas acham que ele faz bem”, diz. “É como uma religião”.

Depois de uma bateria de exames, o clínico separou os participantes em três grupos distintos: o primeiro em uma dieta de baixa caloria, o segundo na mesma dieta de baixa caloria mais a inclusão de 40 g de chocolate por dia e o terceiro grupo continuou com os mesmos hábitos alimentares que já mantinham. Cada indivíduo se pesou diariamente por 21 dias consecutivos e foi submetido a um questionário e mais uma bateria de exames ao final do experimento.

E o resultado? O terceiro grupo manteve ou teve mudanças insignificantes no peso, enquanto cada indivíduo do segundo e do primeiro grupo emagreceram cerca de 2.5 kg, com o segundo grupo, o que incluía chocolate na dieta, perdendo peso 10% mais rápido e com melhores resultados nos exames de colesterol que o primeiro.

O resultado
Então o estudo funciona? Bem, sim e não. O estudo mostrou uma aceleração na perda de peso do grupo que comeu chocolate, no entanto, o número de indivíduos testados é muito pequeno para se chegar a qualquer conclusão — os testes foram feitos com apenas 15 pessoas. Mas os responsáveis pelo estudo sabiam disso. Bohannon explica no post:
“Se você medir um grande número de coisas em um número pequeno de pessoas, você quase certamente terá um resultado ‘estatisticamente significativo'”
E adivinha? O estudo conta com dezoito medidas diferentes — peso, colesterol, sódio, níveis de proteína do sangue, qualidade do sono, bem-estar e outros — e apenas 15 pessoas para teste. Eles estavam fadados a receber pelo menos um resultado bom. “Não sabíamos com o que terminaríamos — as manchetes poderiam ser que chocolate melhora o sono ou diminui a pressão arterial — mas sabíamos que nossas chances de ter pelo menos um resultado ‘estatisticamente significativo’ eram boas”, diz o jornalista.
 
Além disso, Bohannon explica que os hábitos alimentares do terceiro grupo, que não recebeu nenhuma dieta, sequer foi questionado; e alguns fatores, como o ciclo menstrual, que pode oscilar o peso de mulheres em quantidades próximas ao que a dieta prometia eliminar, também não foi levado em consideração.

Publicando e divulgando 

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Com os resultados em mãos, Bohannon submeteu a pesquisa para publicação em revistas científicas e dentro de 24 horas diversas publicações mostraram interesse em divulgá-la — a equipe acabou escolhendo a International Archives of Medicine, que, apesar de afirmar revisar cada pesquisa rigorosamente, publicaria o estudo por 600 euros.

Uma vez publicada, era a hora de divulgar a história: um release à imprensa bem explicado, que frisava os pontos fortes da pesquisa – como o chocolate ser um instrumento para perder peso – e omitia possíveis questionamentos, como o pequeno número de participantes da pesquisa. O release era praticamente uma matéria pronta para os jornalistas a publicarem, como diz o próprio Bohannon — e ela serviu perfeitamente para chamar a atenção de revistas e sites dos mais diversos lugares.

Dezenas de mídias de todo o mundo publicaram a história: Irish Examiner, o site alemão da Cosmopolitan, Times of India, o site alemão e indiano do Huffington Post, um telejornal do Texas e um programa matinal da Austrália divulgaram o estudo.

No Brasil, caíram na pegadinha o portal Vírgula, a TV Cultura e o site F5, da Folha de S. Paulo. (Só o F5 corrigiu o texto.)
E nas poucas vezes em que foi contatado por jornalistas, Bohannon diz que ninguém perguntou sobre o número de participantes da pesquisa, e nenhuma matéria parecia consultar a pesquisa em si – algo necessário para averiguar se as descobertas eram mesmo reais.

A lição
Bohannon usou o estudo em dietas para alertar como é fácil publicar e divulgar um estudo dúbio, e como a editoria científica de revistas e jornais tem sido tratada como fofoca pela mídia. Ele espera que o experimento faça de repórteres e leitores mais céticos:
Se um estudo não lista quantas pessoas fizeram parte dele, ou afirma que os resultados são “estatisticamente significativos”, você deve perguntar o porquê. Quando falhamos [em questionar], o mundo é inundado por ciência fajuta.
O documentário sobre a pesquisa estreia este mês. Confira o trailer abaixo:




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Foto de capa: Lee McCoy/Flickr



segunda-feira, 11 de maio de 2015

Câmara entrega Título de Cidadania Campinense a Biólogo

Câmara entrega Título de Cidadania campinense à biólogoA Câmara Municipal atendendo propositura do vereador Joseildo Alves (Galego do Leite) realizou nesta sexta-feira, sessão solene para homenagear com Título de Cidadania Campinense, o biólogo Helder Neves de Albuquerque. A solenidade foi dirigida pelo presidente do Poder Legislativo campinense, vereador Antônio Alves Pimentel Filho e contou as presenças dos integrantes do Instituto de Bioeducação, professores, biólogos, familiares  e amigos do homenageado.

O vereador, autor da propositura, justificou na oportunidade que o biólogo Helder Neves de Albuquerque é merecedor deste Título tendo em vista que sua trajetória em Campina Grande só orgulha os campinenses. Lembrou que o homenageado chegou em Campina Grande na década de 1990 para estudar e se dedicou ao estudo da Biologia na Universidade Estadual da Paraíba, UEPB.

Já dentro da universidade ele ocupou Direção do Centro Acadêmico de Biologia no período de 96/97 assumindo em seguida a Direção Central dos Estudantes (DCE/UEPB). Acrescentou ainda que durante o período em que estudou na UEPB representou Campina Grande em diversos congressos nacionais e internacionais.

“Helder já tem publicado 36 artigos científicos em revistas de circulação nacional, e vem elevando o nome da cidade no cenário nacional através dos prêmios que conquista  nos eventos que o mesmo participa representando Campina Grande, o que nos orgulha como campinenses”, ressaltou o vereador Galego do Leite.

O homenageado, falando como mais novo campinense, agradeceu aos vereadores pela aprovação do PL por unanimidade dos vereadores, principalmente aos que estavam presentes como; Antônio Alves Pimentel Filho, João Dantas, Alexandre do Sindicato, Napoleão Maracajá e o vereador/secretário Hércules Lafite e o autor da propositura. Disse que este título é para ele símbolo de gratidão, respeito e responsabilidade. Também agradeceu aos presentes pela conquista da honraria.



Confira as fotos da entrega do Título de Cidadania ao biólogo Helder Neves


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Fotos: Josenildo Costa

Fonte

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