Gymnodactylus amarali Barbour, 1925 (Squamata: Phyllodactylidae). Fonte: The Reptile Database.
Grupo de pesquisadores, liderado por Mariana Eloy de Amorim, do Laboratório de Fauna e Unidades de Conservação, do Departamento de Engenharia Florestal, da Universidade de Brasília, relatou para as populações de lagartixa comum Gymnodactylus amarali Barbour, 1925 (Squamata: Phyllodactylidae) que
come cupins, mudanças morfológica e ecológica
paralelas rápidas em resposta à perturbação ambiental causada pelo homem.
As ilhas faziam parte de um extenso ecossistema terrestre. Em 1997, a criação da Usina Hidrelétrica Serra da Mesa inundou uma área de cerrado no Município de Minacu, em Goiás, fragmentando as partes mais altas em ilhas separadas. As populações
em todas as cinco ilhas estudadas têm cabeças proporcionalmente maiores
que as populações em cinco locais continentais próximos, adaptadas para a predação cupins. A
nova morfologia da ilha é acompanhada por um aumento na amplitude do
nicho da dieta, principalmente através da expansão em direção a presas
maiores.Esta expansão é provavelmente devida à
maior disponibilidade de presas nas ilhas recém-formadas após a extinção
de quatro espécies de lagartos maiores que tipicamente também incluíam
cupins em suas dietas.
Maiores informações consultar o artigo:
Amorim, M. E.; Schoener, T. W.; Santoro, G. R. C. C.; Lins, A. C. R.; Piovia-Scott, J.; Brandão, R. A. Lizards on newly created islands independently and rapidly adapt in morphology and diet. PNAS, v. 114, n. 33, p. 8812-8816, 2017. https://doi.org/10.1073/pnas.1709080114
Nascido em 1900, Dobzhansky foi um dos geneticistas mais renomados de seu século. Cristão e evolucionista, nasceu na Rússia, graduou-se pela Universidade de Kiev e lecionou (com J. Philipchenko) na Universidade de Leningrado antes de, em 1927, ir para os Estados Unidos; logo após lecionou na Universidade Columbia e no Instituto de Tecnologia da California (Caltech) antes de se juntar à Universidade Rockefeller, em 1962. Dobzhansky foi presidente da Genetics Society of America, da American Society of Naturalists, da Society for Study of Evolution, da American Society of Zoologists, e da American Teilhard de Chardin Association. Entre suas honras estão a National Medal of Science (1964) e a Gold Medal Award for Distinguished Achievement in Science (1969). Ele obteve 18 doutorados honoris causa de universidades dos EUA e do exterior. Dentre suas mais bem conhecidas obras estão The Biological Basis of Human Freedom (1956) e Mankind Evolving (1963). Morreu de insuficiência cardíaca em 1975.
Recentemente,
em 1966, o xeique Abd el Aziz bin Baz solicitou ao rei da Arábia
Saudita para que suprimisse uma heresia que estava se espalhando em sua
terra. Escreveu o xeique:
"O Sagrado Corão, os ensinamentos do
Profeta, a maioria dos cientistas islâmicos e os fatos atuais, todos
provam que o Sol orbita a Terra [...] e que a Terra está fixa e estável,
posta ali por Deus para o deleite do homem [...] Qualquer um que
professasse o contrário proferiria uma acusação de falsidade contra
Deus, o Corão e o Profeta."
O
bom xeique evidentemente assegura que a teoria Copernicana é "uma mera
teoria", não um "fato". Nisso ele está tecnicamente correto. Uma teoria
pode ser verificada por uma quantidade massiva de fatos, mas isso
a torna uma teoria comprovada, não um fato. O xeique talvez não
soubesse que a Era Espacial havia começado bem antes de ele ter
solicitado o rei para que suprimisse a heresia Copernicana. A
esfericidade da Terra havia sido constatada pelos astronautas, e até
mesmo por muitas pessoas da superfície terrestre através da tela de seus
aparelhos de televisão. Talvez o xeique pudesse replicar que aqueles
que se aventuram para além do confinamento da Terra de Deus
sofrem alucinações, e que a Terra seja realmente plana.
Partes
do modelo de mundo Copernicano, como a asserção de que a Terra orbita o
Sol e não o contrário, não foram verificadas por observações diretas
como foi a esfericidade da Terra. Ainda assim os cientistas aceitam o
modelo como uma representação acurada da realidade. Por quê? Porque
faz sentido graças à esmagadora quantidade de fatos que, vistos por
outro lado, não têm significado ou são extravagantes. Para os
não-especialistas, muitos desses fatos não são familiares. Por que então
nós aceitamos a “mera teoria” de que a Terra é uma esfera que gira ao
redor de um Sol esférico? Estaríamos nós simplesmente nos submetendo à
autoridade? Não exatamente: sabemos que aqueles que estudaram a
evidencia a acharam convincente.
O
xeique é provavelmente ignorante sobre tal evidência. E o que é mais
provável é que ele está tão irremediavelmente convencido do contrário
que nenhuma quantidade de evidência o impressionaria. De qualquer forma,
seria pura perda de tempo tentar convencê-lo. O Corão e a Bíblia não
contradizem Copérnico, e nem Copérnico os contradiz. É um absurdo tomar a
Bíblia e o Corão por apostilas de ciências naturais. Eles tratam de
assuntos ainda mais importantes: o sentido do homem e suas relações com
Deus. Eles são escritos em linguagem poética e simbólica, e
eram compreensíveis às pessoas da época em que foram escritos, bem como o
são para as pessoas de todas as outras épocas. O rei da Arábia não
cumpriu com a exigência do xeique. Ele sabia que algumas pessoas temem o
esclarecimento, porque o esclarecimento ameaça seus escusos interesses.
A educação não deve ser usada para promover o obscurantismo.
A
Terra não é o centro do universo, apesar de que talvez seja seu centro
espiritual. Ela é uma mera partícula de poeira no espaço cósmico. Ao
contrário dos cálculos do Bispo Ussher, o mundo não veio a existir do
modo que existe hoje por volta de 4004 a.C. As estimativas da idade do
universo dadas pelos cosmólogos modernos ainda são aproximações
grosseiras, que são revisadas (geralmente para mais) conforme os métodos
estimativos são aperfeiçoados. Alguns cosmólogos dão 10 bilhões de
anos, outros supõem que o universo sempre existiu e continuará a existir
eternamente[1]. A origem da vida na Terra é datada provisoriamente
entre 3 e 5 bilhões de anos atrás; seres parecidos com o homem
apareceram relativamente há pouco tempo, entre 2 e 4 milhões de anos. A
estimativa da idade da Terra, da duração da era geológica e
paleontológica, e a antiguidade dos ancestrais humanos são hoje baseadas
principalmente na evidência radiométrica - as proporções de isótopos de certo elemento químico em rochas adequadas para tais estudos.
O
xeique bin Baz e seus semelhantes recusam-se a aceitar a evidência
radiométrica porque é “mera teoria.” Qual é a alternativa? Alguém
poderia supor que o Criador achou proveitoso brincar com geólogos e
biólogos. Ele cuidadosamente dispôs várias rochas com taxas de
decaimento radioativo de 2 bilhões de anos, outras em 2 milhões,
justamente para que nos enganássemos enquanto, na verdade, elas têm
somente 6 mil anos de idade. Esse tipo de pseudo-explicação não é tão
nova assim. Um dos primeiros antievolucionistas[2], P. H. Gosse,
publicou um livro chamado Omphalos ("O Umbigo"). A essência
deste estupendo livro é tal que, de acordo com ele, Adão, embora sem
mãe, fora criado com umbigo, e que os fósseis só existem porque o
Criador, num ato deliberado de Sua parte, os espalhou pelo planeta para
que se parecessem muito antigos. É fácil enxergar o tamanho erro de se
pensar dessa forma: é blasfemo, porque acusa-se Deus de cometer enganos
absurdos. Isso é tão revoltante quanto desnecessário. A diversidade dos seres vivos A
diversidade e a unidade da vida são aspectos igualmente
surpreendentes e significativos do mundo natural. Foram descritos e
estudados entre 1,5 a 2 milhões de espécies de animais e plantas, e o
número de espécies ainda não descobertas é provavelmente tão grande
quanto. A diversidade de tamanhos, formas e modos de vida é estonteante e
fascinante. Aqui vão alguns exemplos: a doença de mão-pé-boca é causada
por um vírus que mede 8-12 micrômetros de diâmetro, a baleia azul
atinge 30 metros de comprimento e pesa 135 toneladas, os vírus mais
simples são parasitas em células de outros organismos - reduzidos a
quantidades essenciais mínimas de DNA ou RNA, que subvertem a maquinaria
bioquímica das células do hospedeiro para replicar sua própria
informação genética em vez daquela do hospedeiro.
É
uma questão de opinião, ou de definição, se os vírus são considerados
seres vivos ou substâncias químicas peculiares. O fato é que a diferença
de opinião existente é em si mesma altamente significante. Significa
que a fronteira entre o vivo e a matéria inanimada está obliterada. Na
outra ponta do espectro simplicidade-complexidade temos os animais
vertebrados, incluindo o homem. O cérebro humano contém 12 bilhões de
neurônios[3], e as sinapses dentre eles são talvez mil vezes mais
numerosas.
Alguns organismos vivem em
uma grande variedade de ambientes. A esse respeito, o homem está no
topo da escala. Ele não só é uma espécie verdadeiramente cosmopolita
como também pode, devido às suas próprias conquistas tecnológicas,
sobreviver por tempo limitado na superfície da Lua e no espaço
cósmico. Em contrapartida, alguns organismos são incrivelmente
especializados. Talvez o nicho ecológico mais limitado de todos seja o
de uma espécie de fungos da família Laboulbeniaceae, o qual cresce exclusivamente na porção traseira do élitro da abelha Aphenops cronei,achada somente em algumas cavernas de calcário do sul da França. As larvas da mosca Psilopa petrolei se
desenvolvem em infiltrações de petróleo bruto nos campos petrolíferos
da Califórnia; ao que se sabe, isso não ocorre em nenhum outro
lugar. Esse é o único inseto capaz de viver e se alimentar em petróleo,
e seu espécime adulto pode andar em sua superfície desde que nenhuma
outra parte exceto os tarsos estejam em contato com a substância. Larvas
da mosca Drosophila carcinophila se desenvolvem somente nas cavidades nefríticas que ficam sob as abas do terceiro maxilípede do caranguejo terrestre Geocarcinus ruricola, que é restrito acertas ilhas do Caribe.
Existe
alguma explicação que torne a razão dessa colossal diversidade de seres
vivos inteligível? De onde vieram estas extraordinárias, aparentemente
caprichosas e supérfluas criaturas como o fungo Laboulbenia, a abelha Aphenops cronei, as moscas Psilopapetrolei, a Drosophila carcinophila e
tantas outras curiosidades biológicas? A única explicação que faz
sentido é que a diversidade orgânica evoluiu em resposta à diversidade
de ambientes no planeta Terra. Nem uma única espécie, seja ela perfeita
ou versátil, poderia explorar todas as oportunidades para se viver. Cada
uma das milhões de espécies tem seu próprio modo de viver e obter
sustento do ambiente. Existem sem dúvida muitos outros modos possíveis
de viver ainda não explorados por qualquer espécie existente; mas uma
coisa é certa: com menos diversidade, algumas oportunidades de
vida permaneceriam inexploradas[4]. O processo evolucionário tende a
preencher os nichos ecológicos disponíveis. E não é conscientemente ou
deliberadamente, as relações entre evolução e ambiente são mais sutis e
mais interessantes do que isso. O ambiente não impõe mudanças evolutivas
em seus habitantes, como postulado pelas agora já abandonadas teorias
neolamarckistas. O melhor meio para visualizar a situação consiste no
seguinte: o ambiente apresenta desafios às espécies, estas que podem
responder por mudanças genéticas adaptativas.
Um
nicho ecológico não ocupado, uma oportunidade de vida ainda
inexplorada, é um desafio. Também o é uma mudança ambiental, como o
clima da Era do Gelo dando lugar a um clima mais quente.A
seleção natural pode fazer com que uma espécie responda ao desafio
através de mudanças genéticas adaptativas. Essas mudanças
podem possibilitar que as espécies ocupem um nicho ecológico
anteriormente vazio como uma nova oportunidade para a vida, ou que elas
resistam à mudança climática se esta lhes for desfavorável. Mas essa
resposta pode ou não ser bem sucedida.Isso depende de
muitos fatores, sendo o principal deles a composição genética da espécie
que está respondendo ao desafio no momento em que a resposta é
solicitada pelo ambiente. A falta de resposta bem sucedida pode causar a
extinção da espécie. A evidência fóssil mostra claramente que o fim
eventual da maioria das linhagens evolucionárias é a extinção.
Organismos que vivem hoje são descendentes bem sucedidos de somente uma
minoria de espécies que viveram no passado - e de minorias ainda menos
populosas quanto mais no passado se volta.No entanto, o
número de espécies existentes hoje não diminuiu; na verdade,
provavelmente aumentou ainda mais com o tempo. Tudo isso é compreensível
à luz da teoria da evolução; mas que trabalho sem sentido teria sido,
da parte de Deus, criar uma infinidade de espécies ex nihilo [“do nada”] e então deixar a maioria delas para morrer!
Não
há, obviamente, nada intencional ou consciente na ação da seleção
natural. Uma espécie não diz a si mesma, “Deixe-me tentar amanhã (ou
daqui a um milhão de anos) crescer em um tipo diferente de solo, ou me
alimentar de outra forma, ou habitar uma outra parte do corpo de um
caranguejo diferente.” Somente um ser humano poderia tomar decisões tão
conscientes. Essa é a razão da espécie Homo sapiens ser o ápice
da evolução biológica[5]. A seleção natural é, ao mesmo tempo, um
processo cego e criativo. Somente um processo criativo e cego poderia
produzir, por um lado, o tremendo sucesso biológico que é a espécie
humana e, por outro lado, formas de adaptação tão limitadas e restritas
como os superespecializados fungos, a abelha e as moscas mencionadas
acima.
Os antievolucionistas falham
em entender como a seleção natural opera. Eles imaginam que todas as
espécies existentes foram criadas por ordem divina há somente alguns
milhares de anos, da mesma forma que são hoje. Mas qual o sentido de
haver mais de 2 ou 3 milhões de espécies vivendo na Terra? Se a seleção
natural é o desencadeador primário da evolução, qualquer quantidade de
espécies se torna compreensível: a seleção natural não funciona de
acordo com planos preordenados, e as espécies são produzidas não por
causa de uma necessidade prévia que vise suprir algum propósito, mas
simplesmente por causa da existência de oportunidades ambientais e
recursos genéticos.O Criador estava de bom humor quando fez a Psilopa petrolei para os campos de petróleo da Califórnia e as espécies de Drosophila exclusivamente
para o corpo de certos caranguejos terrestres que vivem em certas ilhas
do Caribe? A diversidade orgânica se torna razoável e compreensível se,
no entanto, o Criador criou a vida não por capricho, mas pela evolução
por seleção natural.É errado afirmar que criação e evolução são alternativas mutuamente exclusivas. Eu sou um criacionista e um evolucionista.Evolução é o método de criação de Deus, ou da Natureza.A
Criação não é um evento que aconteceu em 4004 a.C.; é um processo
contínuo que começou por volta de 10 bilhões de anos e ainda está em
curso.
Unidade da vida A
unidade da vida não é menos extraordinária do que sua diversidade. A
maioria das formas de vida é similar de muitas maneiras. As
similaridades biológicas universais são particularmente impressionantes
em seu aspecto bioquímico: dos vírus ao homem, a hereditariedade é
codificada em apenas duas aparentadas substâncias químicas, o DNA e o
RNA.O que o código genético tem de simples, tem de
universal. Existem apenas quatro “letras” genéticas no DNA: adenina,
guanina, timina e citosina. A uracila substitui a timina no RNA. Todo o
desenvolvimento evolucionário do mundo natural se deu não pela invenção
de novas “letras” no “alfabeto” genético, mas pela elaboração de
contínuas novas combinações dessas letras.
Não
somente o código genético do DNA-RNA é universal, também o é o método
de tradução das sequências das “letras” no DNA-RNA em sequências de
aminoácidos e, estes, em proteínas. Os mesmos 20 aminoácidos compõem
incontáveis proteínas diferentes em todos, ou pelo menos na maioria dos
seres vivos. Diferentes aminoácidos são codificados por um a seis
tripletos de nucleotídeos no DNA e RNA. E a biomecânica universal se
estende para além do código genético e sua tradução em
proteínas: uniformidades marcantes (como adenosina trifosfato, biotina,
riboflavina, hemes, piridoxina, vitamina K, B12 e ácidos fólicos)
implementam processos metabólicos e prevalecem no metabolismo celular
dos mais diversos seres vivos.
O que
toda essa universalidade biológica ou bioquímica significa? Ela sugere
que a vida surgiu de matéria inanimada somente uma única vez, e que
todos os seres vivos, não importa o quão diversos em outros aspectos,
conservam as funcionalidades básicas da vida primordial. (Também é
possível que tenha havido várias, senão numerosas origens da vida; se
for esse o caso, a progenitura de somente uma delas sobreviveu e herdou a
Terra). Mas e se não houvesse evolução e cada uma das milhões de
espécies tivesse sido criada separadamente?Por mais ofensiva quetal
noção possa soar ao sentimento religioso e à razão, os
antievolucionistas, dessa forma, acabam por tornar a acusar o Criador de
estar trapaceando. Assim, eles insistem que Ele deliberadamente
dispôs as coisas exatamente como se seu método de criação fosse a
evolução, de modo a induzir intencionalmente os sinceros buscadores da
verdade ao engano.
Os
notáveis e recentes avanços da biologia molecular tornaram possível
compreender de que modo diversos seres vivos são construídos por
materiais tão monotonamente similares: as proteínas são compostas de
somente 20 tipos de aminoácidos e codificadas somente por DNA e RNA,
cada um contendo unicamente quatro tipos de nucleotídeos. O método é surpreendentemente simples. Todas as palavras do idioma inglês, todas as
sentenças, capítulos e livros, são compostos de sequências de 26 letras
do alfabeto (e também podem ser representadas por somente três sinais
do código Morse: ponto, traço e espaço). O significado de uma palavra ou
uma sentença não é definido somente por quais letras ela contém, mas
pela sequência dessas letras. É o mesmo com a hereditariedade: ela é
codificada pelas sequências das “letras” do alfabeto genético - os
nucleotídeos -, que compõem as bases do DNA. Tais letras são traduzidas
nas sequências de aminoácidos que compõem as proteínas.
Estudos moleculares tornaram possível análises mais exatas dos graus de
similaridades e diferenças bioquímicas entre os seres vivos. Alguns
tipos de enzimas e outras proteínas são quase universais, ou ao menos
bem difundidas no mundo natural. Elas possuem funcionalidades similares
em diferentes seres vivos, nos quais catalisam reações químicas
semelhantes.Masquando essas proteínas são isoladas e
têm sua estrutura determinada quimicamente, frequentemente se encontra
sequências de aminoácidos mais ou menos desiguais em organismos
diferentes. Por exemplo, as assim chamadas cadeias alfa de hemoglobina
têm sequências idênticas de aminoácidos tanto no homem quanto no
chimpanzé, mas diferem num simples aminoácido (de 141)no
gorila. Já no gado, no cavalo, no jumento, no coelho e no peixe carpa,
as cadeias alfa diferem das nossas em, respectivamente, 17, 18, 20, 25 e
71 aminoácidos.
O citocromo C é uma
enzima que tem um papel importante no metabolismo das células aeróbicas.
Ela é encontrada nos mais diversos seres vivos, do homem ao bolor. E.
Margoliash, W. M. Fitch e outros cientistas compararam os aminoácidos no
citocromo C de diferentes ramos da árvore da vida e a maioria das
semelhanças significantes, bem como diferenças, foram reveladas. O
citocromo C de diferentes ordens de mamíferos e aves diferem de 2 a 17
aminoácidos, de 7 a 38 entre classes de vertebrados, de 23 a 41 entre
vertebrados e insetose de 57 a 72 entre animais e
leveduras e bolores. Fitch e Margoliash preferem chamar seus achados de
“distâncias mutacionais mínimas.” Mencionei acima que diferentes
aminoácidos são codificados por diferentes tripletos de nucleotídeos no
genoma. Esta codificação é agora bem conhecida. A maioria das mutações
envolve substituições de nucleotídeos individuais em partes da fita de
DNA que codificam para uma dada proteína. Portanto, pode-se calcular o
número mínimo de mutações únicasnecessárias que fazem com que se
altere o citocromo C de um ser vivo no de outro. A seguir, as
distâncias mutacionais mínimas entre o citocromo C humano e o citocromo C
de outros seres vivos:
É
importante notar que as sequências de aminoácidos em um dado tipo de
proteína variam dentro de populações de uma mesma espécie bem como de
espécie para espécie. É evidente que diferenças entre proteínas nos
níveis de espécie, gênero, família, ordem, classe e filo são compostas
de elementos que variam também entre indivíduos de uma mesma espécie.
Diferenças individuais e grupais são diferenças apenas quantitativas, e
não qualitativas.
Evidências que
apoiem as proposições acima são amplas e as que mais crescem. Muito
trabalho está sendo feito recentemente sobre as variações individuais
nas sequências de aminoácidos das hemoglobinas do sangue humano. Mais de
100 variações foram detectadas. A maioria delas envolve substituições
de aminoácidos individuais — substituições que surgiram por causa das
mutações genéticas nas pessoas (ou em seus ancestrais) em que
foram descobertos. Como esperado, algumas dessas mutações são
prejudiciais para seus portadores, mas outras aparentemente são neutras
ou mesmo favoráveis em certos ambientes. Algumas hemoglobinas mutantes
foram encontradas somente em uma pessoa ou em uma família; outras são
descobertas repetidamente entre habitantes de diferentes partes do
mundo. Torno a dizer que todas esses notáveis achados fazem sentido
unicamente à luz da evolução, e que, de contrário, não fazem nenhum
sentido.
Anatomia e Embriologia comparada A
bioquímica universal é a descoberta mais impressionante e também a mais
atual, mas certamente não é o único vestígio da criação por meio
da evolução. A anatomia e embriologia comparada proclama a origem
evolucionária dos presentes habitantes do planeta. Em 1555, Pierre
Belon chegou à conclusão de que ossos do homem e das aves eram,
superficialmente, homólogos. Consequentemente, anatomistas traçaram
homologias nos esqueletos, bem como em órgãos, de todos os vertebrados.
Homologias também são rastreáveis no exoesqueleto de artrópodes
como lagostas, moscas e borboletas, por mais diferentes que pareçam.Exemplos de homologia podem ser multiplicados indefinidamente.
Homologia de alguns tipos de vertebrados.
Embriões de
diversos animais muitas vezes exibem similaridades admiráveis. Cem anos
atrás, tais similaridades deixaram o zoólogo alemão Ernst Haeckel tão
entusiasmado que ele chegou a interpretá-las como o embrião repetindo em
seu próprio desenvolvimento a história evolutiva da espécie. Para
Haeckel, cada estágio do desenvolvimento embriônico recapitulava seus
ancestrais mais remotos. Em outras palavras, supôs ele que, estudando o
desenvolvimento embriônico, era possível ler os estágios que o
desenvolvimento evolucionário havia percorrido. Esta assim chamada lei
biogenética não é mais aceita em sua forma original,no entanto, as semelhanças embrionárias são inegavelmente impressionantes e significativas.
Sequência de desenvolvimento embriônico de vertebrados em contexto filogenético. Repare nas similaridades compartilhadas por vários táxons, principalmente os amniota (táxons laranja, vermelho e amarelo). N.T.
A
presença de fendas branquiais nas primeiras etapas do desenvolvimento
dos embriões humanos e nos embriões de outros vertebrados terrestres é
outro exemplo famoso.É claro que em nenhuma etapa do
desenvolvimento humano o embrião é um peixe, e isso tão pouco quer dizer
que as guelras sejam funcionais.Mas por que, afinal
de contas, existem em embriões humanos inconfundíveis fendas branquiais
se não evoluímos de ancestrais remotos que respiraram com a ajuda de
guelras? O Criador estaria brincando de novo?
Provavelmente
todo mundo conhece as cracas sedentárias[6], as quais parecem não ter
nenhuma similaridade com a maioria dos crustáceos tanto quanto têm com
os copépodes. Quão notável é o desenvolvimento desses cirrípedes quando
passam pelo estágio de larva de vida livre, o náuplio! Nesse estágio de
desenvolvimento, um cirrípede e um Cyclops [gênero de copépodes]
parecem inequivocamente similares. Eles são, evidentemente, parentes.
Radiação adaptativa: moscas do Havaí
Existem por volta de 2.000 espécies de moscas drosófilas no mundo
inteiro. Cerca de 1/4 delas vive no Havaí, embora a área total do
arquipélago seja do tamanho do Estado de Nova Jersey. Todas, exceto 17
espécies, são endêmicas (não são achadas em nenhum outro lugar). Além do
mais, uma grande maioria de moscas endêmicas havaianas não ocorre ao
longo do arquipélago: elas estão restritas a ilhas individuais ou mesmo a
uma parte de uma ilha. Qual é a explicação para essa extraordinária
proliferação de espécies de drosófilas em um território tão pequeno? Um
recente trabalho dos cientistas H. L. Carson, H. T. Spieth e D. E. Hardy
e outros torna a situação compreensível.
As
ilhas havaianas são de origem vulcânica, isso quer dizer que elas nunca
foram parte de qualquer continente. Suas idades estão entre 5.6 e 0.7
milhões de anos. Antes da chegada do homem, seus habitantes foram
descendentes de espécies imigrantes que foram transportados através do
oceano por correntes de ar e outros meios de transporte acidentais. Uma
única espécie de drosófila, cuja chegada no Havaí foi a primeira, antes
de numerosos competidores, enfrentou o desafio da abundância de muitos
nichos ecológicos desocupados. Seus descendentes responderam a esse
desafio através da mudança por radiação adaptativa,
fator que tem como produto as notáveis espécies de drosófilas havaianas
de hoje. Para prevenir um possível mal entendido, deixemos claro que as
endêmicas drosófilas havaianas não são de forma alguma tão similares
entre si de maneira que pudessem ser confundidas com variações da mesma
espécie;contudo, elas são mais diversificadas do que
as drosófilas de outros lugares. A maior e a menor espécie de drosófila
são ambas havaianas. Elas exibem uma surpreendente variedade de padrões
de comportamento. Algumas delas tem se adaptado a modos de vida
bastante extraordinários para uma mosca drosófila, tais como ser
parasita em casulos de ovos de aranhas. Fora o
Havaí, ilhas oceânicas que estão espalhadas pelo amplo Oceano Pacífico
visivelmente não são ricas em espécies endêmicas de Drosophila. A
explicação mais provável desse fato é que essas outras ilhas foram
colonizadas por drosófilas depois da maioria dos nichos ecológicos já
terem sido colonizados. Isso é obviamente uma hipótese, mas é uma
hipótese racional. Os antievolucionistas podem talvez sugerir uma
hipótese alternativa:num momento de distração, o
Criador resolveu fabricar mais e mais espécies de drosófilas para
o Havaí, até que houvesse um excesso extravagante delas no arquipélago.Deixo que você decida qual hipótese faz sentido.
Força e aceitação da teoria Vista
à luz da evolução, a Biologia é, talvez, a ciência mais
intelectualmente gratificante e inspiradora. Sem essa luz, ela se torna
uma pilha de fatos diversos e sem sentido — alguns deles interessantes
ou curiosos, mas não fazendo qualquer sentido como um todo.
Isso
não implica que nós sabemos tudo o que se pode saber sobre biologia e
evolução. Qualquer biólogo competente está ciente da multidão de
problemas ainda não resolvidos e questões ainda em aberto. Afinal, a
pesquisa biológica não apresenta nenhum sinal de estar chegando ao fim;
já o oposto é verdade. Discordâncias e conflitos de opinião entre
biólogos são comuns, como deveriam ser numa ciência natural que está em
constante crescimento. Antievolucionistas confundem, ou fingem
confundir, essas discordâncias como indicações de dubiedade de toda a
doutrina da evolução. Seu esporte favorito é misturar citações
cuidadosamente e algumas vezes habilmente tirá-las do contexto, de modo a
mostrar que nada é verdadeiramente bem estabelecido ou aceito entre
evolucionistas.Eu e alguns dos meus colegas já ficamos
hilariados e atônitos ao sermos citados como se fóssemos, por baixo dos
panos, antievolucionistas.
Deixe-me
tentar deixar bem claro o que, em evolução, é estabelecido além de
qualquer dúvida razoável e o que precisa de mais estudos. A evolução
como um processo vigente na história da Terra só pode ser duvidada por
aqueles que são ignorantes sobre a evidência ou que resistem a
ela devido a bloqueios emocionais ou ao simples fanatismo. Em
contrapartida, os mecanismos propulsores da evolução certamente precisam
de estudo e esclarecimento. Não existem alternativas à história
evolutiva que possam resistir a um exame crítico. No entanto, estamos
constantemente aprendendo novos e importantes fatos sobre os mecanismos
evolucionários.
É extraordinário que
há mais de um século Darwin foi capaz de compreender tanto sobre
evolução sem nem ao menos ter tido à sua disposição os principais fatos
descobertos desde então. O desenvolvimento da genética depois do ano
1900 - especialmente da genética molecular nas ultimas duas décadas —
forneceu informações essenciais para o entendimento dos
mecanismos evolutivos. Mas ainda há muita dúvida e muito para aprender.Isso
é animador e inspirador para qualquer cientista que se preze. Imagine
que pesadelo seria se já soubéssemos de tudo e não restasse mais nada
para ser descoberto pela ciência!
A
doutrina da evolução está em conflito com a fé religiosa? Não está. É
um grande erro confundir as Sagradas Escrituras com textos elementares
de Astronomia, Geologia, Biologia e Antropologia. Somente se símbolos
são construídos para significar o que eles não pretendem significar que
então aparecem conflitos imaginários e insolúveis. Como dito acima, tal
tolice leva à blasfêmia: pois, se assim for, o Criador teria de ser
acusado de ter cometido enganos sistemáticos.
Um
dos maiores pensadores da nossa época, Pierre Teilhard de Chardin,
escreveu o seguinte: "A evolução é uma teoria, um sistema ou uma
hipótese? Ela é muito mais do que isso - é um postulado geral do qual
decorrem todas as teorias, todas as hipóteses, todos os sistemas, de
modo que, por conseguinte, se tornem satisfatórios a fim de que sejam
concebíveis e verdadeiros. A evolução é uma luz que ilumina todos os
fatos, uma trajetória tal qual todas as linhas de pensamento devem
seguir - isso que é evolução". Claro, alguns cientistas, bem como alguns
filósofos e teólogos, discordam de algumas partes dos ensinamentos de
Teilhard; a aceitação de sua visão de mundo fica aquém do universal. Mas
não há dúvida de que Teilhard foi um homem verdadeiramente e
profundamente religioso, e que o cristianismo foi a pedra angular de sua
visão de mundo. Além disso, para Teilhard, ciência e fé não estavam
segregados a compartimentos à prova d’água, como estão para muitas
pessoas. Ciência e fé foram partes harmoniosas de sua visão de
mundo. Teilhard foi um criacionista, mas um que entendeu que a Criação,
neste mundo, é realizada por meio da evolução.
N. T.: 1. Atualmente, o consenso científico sobre a idade do universo é de que o Big Bang ocorreu entre 13 a 14 bilhões de anos atrás.
2.
Os “antievolucionistas”, tão citados por Dobzhansky, são crentes no
deus judaico-cristão, i. e., ao contrário de Dobzhsnaky, são cristãos
literalistas, que negam a evolução biológica por acreditarem na
literalidade do Gênesis bíblico.
3. O consenso atual é de que temos por volta de 86 bilhões de neurônios.
4. Quando Dobzhansky fala sobre modos de viver e similares, faz mençãoaos meios
conhecidos de interação entre organismo e ambiente externo, e, de
maneira mais filosófica, a novas e desconhecidas formas de vida
provenientes de genes(e/ou mutações) ainda
inexistentes por falta de novos ambientes, pressões seletivas ou
simplesmente pela ausência de espécies em ambientes ainda inabitados. Em
outras palavras, enfatiza-se a impossibilidade de saber sobre todos os
modos, meios, formas, tamanhos, jeitos de ser e interagir com o
ambiente, pois eles (estes meios, que são originados graças
à variabilidade genética e sua interação com o ambiente quando posta em
prática) ainda não existem e não podem ser preditos em sua totalidade.
Afinal, tais modos (fisiológicos, comportamentais, morfológicos
etc.) são literalmente infinitos e por isso nunca serão conhecidos de
maneira geral - o que é, para mim, enigmático e espetacular.
5.
O “ápice da evolução”, segundo Dobzhansky, é ser capaz de tomar
decisões baseadas em razoável premeditação, de formular hipóteses e
teorias que busquem compreender a realidade - isso o Homo sapiens domina bem -, e não que, dado o presente estado biológico da raça humana, a evolução não teria mais como prosseguir.
Não
existe um ápice ou uma teleologia exata na evolução biológica: as
espécies simplesmente se adaptam (ou não) aos desafios do ambiente.
6. Craca é o nome dado a diversos crustáceos da classe dos cirrípedes (Cirripedia).
Coletivo negro fez ato em aula de pós-graduação do Instituto de Biologia.
Professor britânico diz que foco das suas aulas é a prática da língua inglesa.
Ana Carolina Moreno
Do G1, em São Paulo
Uma aula de pós-graduação do Instituto de Biologia da Universidade de
São Paulo (USP) virou alvo de uma manifestação do coletivo Ocupação
Preta, formado por estudantes negros e negras da instituição com o
objetivo de debater o racismo no campus e defender a criação de cotas
raciais na universidade. Na quarta-feira (22), a disciplina English for
Science (Inglês para a Ciência), ministrada pelo pesquisador britânico
Peter Lees Pearson para estudantes de mestrado e doutorado da USP, foi
"ocupada" por um grupo de cerca de dez estudantes do coletivo,
interessados em debater o artigo indicado pelo professor para ser lido e
discutido em aula.
Em uma nota de repúdio publicada no Facebook nesta sexta (24), o
coletivo, que preferiu não indicar um porta-voz para dar entrevistas,
afirmou que decidiu fazer a intervenção surpresa na aula para chamar a
atenção para o fato de que apenas um entre os cerca de 20 alunos
matriculados na disciplina é negro, e por causa do "conteúdo
extremamente racista e ofensivo do material proposto".
Em entrevista ao G1, o professor Pearson explicou que a
disciplina tem como foco principal a prática do inglês oral e escrito, e
que todas as semanas indica artigos de áreas diversas, mas sem
aprofundamento específico, sobre os quais os alunos precisam ler e
opinar durante a aula, em inglês, para depois redigir uma dissertação,
também na língua inglesa.
"Houve uma grande deturpação. Eles disseram que eu mudei a língua da
aula para o inglês para eles não entenderem, mas a minha aula é em
inglês, a disciplina chama Inglês para a Ciência", explicou o professor.
"Eles não foram convidados. Eles simplesmente entraram, disseram que
queriam discutir uma questão, eu disse que tudo bem, mas eles não
queriam fazer isso em inglês, e eu disse que minha aula era em inglês."
Segundo o grupo, o professor teve uma postura "extremamente racista"
porque defendeu subjetivamente o texto e não valorizou o diálogo,
"diversas vezes batendo palmas em cima da falas dos estudantes negros,
dizendo 'Shut up!' e se recusando a fazer a discussão em português,
mesmo sabendo que havia estudantes que não entendiam inglês e por isso,
não podiam se defender".
Ao G1, Pearson negou a acusação de racista, e disse
que se sentiu "extremamente ofendido" pelo ato. "Eles começaram a gritar
ideologias e slogan políticos, ocuparam quase duas horas das quatro
horas da aula, em detrimento dos meus alunos."
QI e raças
O texto que o professor indicou para o debate da última quarta discute
hipóteses levantadas pelo cientista James Watson, um dos pesquisadores
que co-descobriram a estrutura do DNA, na década de 1950. Em 2007,
Watson fez declarações à imprensa
vinculando níveis de inteligência a diferentes etnias e origens
geográficas. Desde então, o cientista perdeu cargos e credibilidade
junto à comunidade acadêmica, e em 2014 anunciou que venderia a medalha
do Prêmio Nobel, que ganhou em 1962 pela co-descoberta, porque
necessitava de dinheiro.
Pearson, que iniciou sua carreira acadêmica no Reino Unido, mas
trabalhou durante anos nos Países Baixos e nos Estados Unidos, afirmou
que conhece Watson pessoalmente, e que o colega da área de genética deu
uma declaração "muito lamentável".
"Ele é um homem muito honesto, mas é muito espontâneo, fala o que passa pela cabeça", disse o geneticista da USP.
Pearson não refutou a precisão científica da hipótese de Watson, que
defendeu que investimentos em educação em países africanos teriam pouco
retorno. A mensagem implícita da declaração, que fez com que Watson
fosse condenado ao ostracismo, é a de que, geneticamente, as populações
africanas têm inteligência inferior à de outras etnias. Mas o professor
da USP, afirmou que, atualmente, não existe tecnologia suficiente para
comprovar ou refutar essa hipótese.
Por sua vez, o coletivo Ocupação Preta afirmou, pelo Facebook, que "os
estudos de Watson foram rechaçados pela academia por serem baseados em
estudos de cefalometria (herdeira científica da frenologia, um ramo
pseudocientífico que serviu de base pra diversas atrocidades no meio
médico e sobretudo psiquiátrico-manicomial) e análises de aplicações de
testes de QI sem análises psicossociais", e que "Watson foi inclusive
exonerado de seu cargo de conselheiro no Spring Harbor Laboratory (CSHL)
em Nova Iorque em virtude de suas afirmações sobre a inferioridade
cognitiva de pessoas negras".
Cotas
Pearson afirmou que não é contra políticas de ação afirmativa. "Não
tenho nada contra ações afirmativas, mas acho que elas precisam ser
regulamentadas, precisam fazer sentido", explicou ele.
Segundo o britânico, quando ele veio viver no Brasil, o que mais o
chocou foi o fato de estudantes de famílias ricas poderem estudar na USP
sem pagar nada. "O que acontece no Brasil é que o dinheiro determina.
Os pais paga para esses jovens terem educação em escolas privadas. É uma
visão reversa do mundo, e isso precisa ser reconsiderado seriamente.
Isso precisa mudar. Eu não sei dizer como, mas precisa mudar, porque é
um anacronismo."
Ele afirmou ainda que se ocupa da parte científica da questão genética,
que não pode ser explicada com a política. "Por um lado, eu me
simpatizo com a questão dos brasileiros de ascendência africana, que
precisa ser considerada. Mas essas pessoas estavam lá só para fazer uma
declaração política."
O grupo esclareceu que a intenção era ampliar a representatividade do
ponto de vista da população negra no debate. "Contestamos, nos
manifestamos contrários à escolha do artigo e fomos enegrecer a
discussão com nossos posicionamento de negras e negros que somos,
estudantes das mais diversas áreas da universidade que sentem o racismo
todos os dias, resistindo e combatendo com muita força", disseram os
estudantes, por meio da nota.
Vínculo com a USP
O professor britânico se mudou para o Brasil em 2005, depois de se
aposentar, para acompanhar sua esposa, uma geneticista brasileira, e diz
que tem vínculo de professor visitante com a USP. Ele participa do
Centro de Estudos do Genoma Humano e de Células-Tronco, e diz que não
recebe salário para ministrar a disciplina English for Science.
Segundo ele, as aulas não acontecem todos os anos, e têm cerca de 20
estudantes de diversas áreas da USP, como biomedicina e psicologia,
escolhidos de forma a dar diversidade à turma. Ele afirma que, neste
ano, só tem um aluno negro na classe, mas que isso se deve à baixa
procura de candidatos. "Não posso ter uma turma muito grande porque
seriam muitas dissertações para corrigir e não teria tempo", explicou.
A motivação para criar a disciplina, há cerca de seis anos, é o fato de
a USP ter um volume muito pequeno de publicações e citações em inglês, o
que afeta a credibilidade e o alcance internacional da pesquisa feita
no Brasil. "O inglês é a língua franca da ciência. Os estudantes que
chegam ao nível de pós-graduando são muito inteligentes, mas o inglês
deles ainda é muito ruim."
Pearson diz que essa foi a segunda vez que usou o texto sobre as
hipóteses de James Watson. Porém, após o ato, ele diz que considera
deixar de ministrar a disciplina. "Tenho 76 anos, não preciso desse
aborrecimento", disse o britânico.
APARECIMENTO DAS COBRAS - Ao analisar fósseis de quatro cobras
pré-históricas, cientistas descobriram que elas tinham entre 140 milhões
e 167 milhões de anos. Isso comprova que o surgimento desses répteis
aconteceu pelo menos 70 milhões de anos antes do que os registros
anteriores indicavam. A "Eophis underwoodi", achada perto de
Kirtlington, no sul da Inglaterra, é a cobra mais velha (167 milhões de
anos) registrada pelo estudo. Concepção artística exibe as outras três
cobras pré-históricas da pesquisa que viviam no Cretáceo Inferior:
"Portugalophis lignites" (esquerda); "Diablophis gilmorei" (direita) e
"Parviraptor estesi" (centro) Julius Csotonyi/Reuters
Ao analisar fósseis de quatro cobras pré-históricas, cientistas
descobriram que elas tinham entre 140 milhões e 167 milhões de anos.
Isso mostra que o surgimento desses répteis aconteceu pelo menos 70
milhões de anos antes do que os registros anteriores indicavam.
A pesquisa, publicada na terça-feira (27) na revista "Nature
Communications", muda completamente a perspectiva dos estudos sobre a
origem e a evolução das cobras, segundo os autores. Até agora, só
existiam provas de que elas haviam aparecido na Terra há cerca de 100
milhões de anos.
Segundo o principal autor do estudo, Michael Caldwell, da Universidade
de Alberta, no Canadá, o estudo indica que a evolução das cobras é mais
complexa do que se pensava. Apesar da descoberta, ainda há uma lacuna no
conhecimento a ser preenchida, pois não foram encontrados fósseis no
período de 100 milhões a 140 milhões de anos atrás.
De acordo com Caldwell, os cientistas já imaginavam que existiam cobras
há mais de 100 milhões de anos, mas a ausência de fósseis deixava a
impressão de que elas surgiram repentinamente naquele período.
Segundo os autores, o estudo mostra que, no período de 167 milhões e
100 milhões de anos atrás, cobras ancestrais já estavam se diferenciando
em espécies distintas e evoluindo para adquirir formas semelhantes às
das cobras marinhas que viveram de 90 milhões a 100 milhões de anos
atrás - até agora consideradas as mais antigas.
As cobras marinhas tinham patas traseiras pequenas e desenvolvidas. "Ao
que tudo indica, as cobras ancestrais também tinham pernas. Mas as
características da cabeça são semelhantes às das cobras modernas. Isso
sugere que a evolução das cabeças ocorreu antes de as cobras perderem as
patas."
A Eophis underwoodi, achada perto de Kirtlington, sul da
Inglaterra, é a cobra com 167 milhões de anos registrada pelo estudo.
Segundo Caldwell, a pesquisa indica que há cobras ainda mais antigas do
que ela.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Os golfinhos são tão inteligentes que devemos encará-los como pessoas não-humanas, é o que reivindica um projeto de lei.
Uma coalizão de cientistas, filósofos e grupos dos direitos dos animais
estão declarando, oficialmente, que os golfinhos não podem ser
classificados como simples criaturas. Um dos tópicos do projeto é
impedir que eles sejam mantidos em cativeiro em parques aquáticos e
severas leis contra pescadores que os atacarem.
As chamadas “baleias” assassinas também seriam classificadas da mesma
forma, já que elas são golfinhos e não baleias, como boa parte da
população pensa.
Outro fator importante é que as baleias também entrariam nesta lista, o
que oficialmente transformaria os pescadores baleeiros em assassinos,
de acordo com a Associação Americana para o Avanço da Ciência, na
conferência anual que ocorreu em Vancouver, Canadá. Grandes empresas
como as petrolíferas teriam que ter mais rigor ao explorar uma região
com grande fluxo de golfinhos e baleias, buscando respeitá-los.
O filósofo Thomas White comentou: “A
evidência científica agora é forte o suficiente para apoiar a alegação
de que os golfinhos são como os seres humanos, auto-conhecedores,
seres inteligentes, com emoções e personalidades. Assim, os golfinhos
devem ser considerados como pessoas não-humanas, sendo valorizados como
indivíduos. Do ponto de vista ético, as lesões, mortes e cativeiro é
algo errado”.
O projeto de lei afirma que todos os membros da ordem dos cetáceos –
baleias, golfinhos e botos – tem o direito à vida. Ele também diz que
ninguém tem o direito de possuir uma criatura dessas ou fazer coisas
que agridam seus direitos, liberdade e normas.
Quando a comparação é tomada pelo cérebro, os golfinhos possuem o
segundo maior cérebro do reino animal comparado com seu peso corporal,
ficando atrás apenas dos seres humanos. A conferência provou que os
golfinhos são autoconscientes, podendo se reconhecer ao olhar no
espelho.
Algumas provas científicas sobre a inteligência dos golfinhos:
Quando dada a oportunidade, os golfinhos assistem TV e seguem as instruções apresentadas na tela.
Os golfinhos podem ser ensinados a entender as palavras humanas, frases e demandas.
Como os seres humanos, os golfinhos são altruístas e há exemplos
que mostram que eles ajudam banhistas que foram atacados por tubarões.
Eles usam linguagem corporal. Pular, saltando fora da água e
desembarcando ao lado de outro golfinho, significa "eu quero ir
agora!".
Eles têm sotaques regionais. Um apito dado por um golfinho do País
de Gales é completamente diferente de outro que vive na costa da
Irlanda.
Eles têm uma forma de diabetes quando adultos, mas eles são capazes
de "ligar ou desligar" a doença. Aprender como esse processo funciona
poderia ser a chave para a cura em nós humanos.
Os machos atraem as fêmeas apresentando buquês de plantas daninhas,
pedaços de madeira e detritos marinhos, como uma forma de cortejar.
A Associação Brasileira de Ensino de Biologia (SBEnBio) e a
Associação Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências (ABRAPEC)
divulgaram na segunda-feira (24) carta aberta com seu posicionamento
contrário ao Projeto de Lei nº 8.099/2014, que torna obrigatório
o ensino do criacionismo na Educação Básica pública e privada
do país, encaminhado em 13 de novembro de 2014 ao Congresso Nacional
pelo Deputado Federal Marco Feliciano (PSC-SP).
O documento assinado por Sandra Escovedo Selles, presidente da
ABRAPEC, e Marco Antonio Leandro Barzano, presidente da SBEnBio, traz
uma série de razões pelas quais as entidades são contrárias ao projeto.
“Nós, professores e pesquisadores que trabalhamos com o Ensino de
Ciências, envolvidos verdadeiramente em todos os debates relacionados à
sua construção e diálogo com outras perspectivas, só podemos
rejeitá-lo”.
Muitas ideias deixaram o mundo da ciência e tomaram seu
lugar na nossa linguagem cotidiana – e infelizmente elas são quase
sempre utilizadas de forma incorreta. Pedimos a um grupo de cientistas
para que nos contassem quais termos científicos eles acreditam que sejam
os mais comumente mal compreendidos. Aqui estão 10 deles.
Eu diria que a “prova” é o conceito mais mal-entendido em toda a
ciência. Ele tem uma definição técnica (uma demonstração lógica de que
certas conclusões seguem a partir de certas suposições) que difere muito
da forma como o termo costuma ser utilizado em conversas casuais, que
está mais próxima de significar “fortes evidências a favor de alguma
coisa”. Há uma incompatibilidade entre a forma como os cientistas falam e
a forma como as pessoas escutam, pois esses tem uma definição mais
forte em mente. Seguindo esta definição, a ciência nunca prova nada!
Então quando somos perguntados “Qual é a sua prova de que evoluímos a
partir de outras espécies?” ou “Você pode realmente provar que o
aquecimento global é causado por ação antrópica?” nós tendemos a
titubear ao invés de simplesmente responder “É claro que podemos
provar”. O fato de que a ciência nunca prova nada, mas simplesmente cria
teorias cada vez mais confiáveis sobre o mundo, mas que ainda assim
estão sempre sujeitas a atualizações e melhorias, é um dos aspectos
chave do porquê a ciência é tão bem sucedida.
2. Teoria
O Astrofísico Dave Goldberg tem uma teoria sobre a palavra “teoria”:
O publico geral ouve a palavra “teoria” como um sinônimo para
“ideia” ou “suposição”. Sabemos que não é assim. Teorias científicas são
sistemas inteiros de ideias testáveis que são potencialmente refutáveis
tanto pelas evidências disponíveis quanto por experimentos que alguém
possa realizar. As melhores teorias (nas quais eu incluo a relatividade
restrita, a mecânica quântica e a evolução) resistiram a cem anos ou
mais de desafios, tanto de pessoas que queriam se provar mais
inteligentes que Einstein, quanto de pessoas que não gostam de desafios
metafísicos contra sua visão de mundo. Por fim, teorias são maleáveis,
mas não indefinidamente. Elas podem estar incompletas ou erradas em
algum detalhe específico sem que elas inteiras desmoronem por causa
disso. A evolução,por exemplo, sofreu várias adaptações ao longo dos
anos, mas não tanto a ponto de que não se possa mais reconhecer que
ainda se trata da mesma teoria. O problema com a frase “só uma teoria” é
que ela sugere que uma teoria científica real é algo pequeno, o que não
é verdade.
3. Incerteza e Estranheza Quânticas
Goldberg adiciona que há outra ideia que foi mal interpretada de
forma ainda mais perniciosa do que a de “teoria”. Acontece quando
pessoas se apropriam de conceitos da física para propósitos espirituais
ou “New Age”.
Esta interpretação errada é uma exploração da mecânica quântica
por uma certa estirpe de espiritualistas e autores de auto-ajuda,
sintetizada pela abominação (o documentário) “ Quem Somos Nós?” (“What
the Bleep Do We Know?”). A mecânica quântica, de forma bem conhecida,
trabalha com medidas desde sua parte central. Um observador medindo
posição, momento ou energia faz com que a “função de onda colapse” de
forma não determinística. (Inclusive, uma das primeiras colunas que
escrevi foi “Quão esperto você precisa ser para colapsar uma função de onda?”).
Mas o fato de o universo não ser determinístico não significa que é
você que o está controlando. É notável (e, francamente, alarmante) o
grau com que a incerteza e a estranheza quânticas são inextricavelmente
ligadas por certos grupos à ideia de alma, de humanos controlando o
universo, ou alguma outra pseudociência. No fim das contas, nós somos
feitos de partículas quânticas (prótons, nêutrons, elétrons) e somos
parte do universo quântico. Isso é legal, claro, mas apenas no sentido
de que toda a física é legal.
4. Aprendido vs Inato
A Bióloga Evolutiva Marlene Zuk diz que:
Um dos meus [enganos] favoritos é a ideia de o comportamento ser
“aprendido vs inato” ou qualquer outra versão “estímulos-natureza”
disso. A primeira pergunta que geralmente me fazem quando eu falo sobre o
comportamento, é se ele é “genético” ou não, o que é uma interpretação
errada, pois TODAS as características, o tempo todo, são o resultado de
uma contribuição vinda dos genes e outra do ambiente. Apenas as
diferenças entre as características, e não as características em si,
podem ser genéticas ou aprendidas – como o caso de você ter dois gêmeos
idênticos criados em ambientes diferentes que fazem algo diferente (como
falar idiomas diferentes) – esta diferença é aprendida. Mas falar
francês ou italiano ou qualquer outra língua não é algo apenas
aprendido, pois, obviamente, uma pessoa precisa de um certo plano de
fundo genético para simplesmente ser capaz de falar.
5. Natural
O Biólogo Sintético Terry Johnson está realmente cansado das pessoas não entenderem o significado desta palavra:
“Natural” é uma palavra que tem sido usada em muitos contextos,
com tantos significados diferentes que se tornou quase impossível de
analisar. Seu uso mais básico, para distinguir fenômenos que existem
apenas por causa da humanidade de fenômenos que não precisam dela para
existir, presume que os humanos são, de alguma forma, separados da
natureza, que nossos trabalhos são não-naturais quando comparados com,
digamos, o de castores ou abelhas.
Quando se trata de comida “natural”, o termo é ainda mais
escorregadio. Ele tem significados diferentes em países diferentes, e
nos EUA, a FDA (US Food and Drug Administration) desistiu de dar uma
definição significativa à comida natural (em grande parte em favor de
outro termo nebuloso, “orgânico”). No Canadá, eu poderia comprar milho
como “natural”, desde que não tenham sido a ele adicionadas ou removidas
várias coisas antes da venda, porém o milho é o resultado de milhares
de anos de seleção pelos humanos, de uma planta que não existiria sem
nossa intervenção.
6. Gene
Johnson tem uma preocupação ainda maior com a forma como a palavra “gene” é usada:
Levou dois dias para 25 cientistas chegarem a: “uma região
localizável da sequência genômica, correspondente a uma unidade de
herança, que é associada a regiões reguladoras, transcritas e/ou outras
regiões de sequências funcionais”. Isso significa que um gene é uma
pequeno pedaço de DNA para o qual podemos apontar e dizer, “isso faz
alguma coisa ou regula a produção de alguma coisa”. A definição, dessa
forma, é bem flexível; não faz muito tempo desde que pensávamos que a
maior parte do nosso DNA não servia para nada. Nós a chamávamos de “junk
DNA” (DNA lixo, em tradução livre), mas nós estamos descobrindo que
muito daquele “lixo” tem propósitos que não eram imediatamente óbvios.
Tipicamente, a palavra “gene” é mal utilizada quando vem seguida
da palavra “para”. Há dois problemas aí. Todos nós temos genes para
hemoglobinas, mas nem todos nós temos anemia falciforme. Pessoas
diferentes possuem versões diferentes do gene da hemoglobina, chamados
alelos. Há alelos de hemoglobina que são associados a doenças de células
falciformes e outros que não são. Então, um gene se refere a uma
família de alelos, da qual apenas alguns poucos membros, se algum, estão
associados a doenças. O gene não é mal, pode acreditar em mim, você não
vai viver muito sem hemoglobina – ainda que uma determinada versão de
hemoglobina que você tenha possa vir a se tornar problemática.
O que mais me preocupa é a popularização da ideia de que quando
uma variação genética está relacionada a alguma coisa, isso é o “gene
para” aquela coisa. Esta linguagem sugere que “este gene causa doenças
do coração”, quando na realidade, o que costuma ocorrer é que “pessoas
que possuem este alelo parecem sofrer uma incidência ligeiramente maior
de doenças do coração, mas nós não sabemos o motivo, e talvez existam
vantagens que compensem esta característica, mas que nós ainda não
percebemos por não estarmos procurando por elas”.
7. Estatisticamente Significativo
O matemático Jordan Ellenberg quer ajustar nossos registros sobre esta ideia: “Estatisticamente significativo” é uma daquelas frases que os
cientistas adorariam ter a chance de voltar atrás e dar a ela outro
nome. “Significativo” sugere importância, mas o teste de significância
estatística, desenvolvido pelo estatístico inglês R.A. Fisher, não mede a
importância ou o tamanho de um efeito, apenas se somos capazes de
distingui-lo, usando nossas mais afiadas ferramentas estatísticas, de
zero. “Estatisticamente perceptível” ou “Estatisticamente notável”
seriam muito melhores.
8. Sobrevivência do Mais Apto
A Paleoecologista Jacquelyn Gill diz que as pessoas entendem errado alguns dos princípios básicos da teoria evolutiva:
No topo da minha lista estaria a “sobrevivência do mais apto”.
Pra começar, estas não são realmente as palavras de Darwin, e segundo,
as pessoas tem um conceito equivocado sobre o que “aptidão” significa.
Da mesma forma, há uma grande confusão sobre a evolução em geral,
incluindo a ideia persistente de que ela é progressiva e direcional (ou
inclusive dirigida pelos organismos; as pessoas não compreendem a ideia
de seleção natural), ou que todas as características precisam ser
adaptativas (Seleção sexual existe! Mutações aleatórias também!).
Mais apto não significa mais forte nem mais inteligente. Significa
apenas um organismo que está mais bem adaptado ao seu ambiente, o que
pode significar qualquer coisa, de “menor” ou “mais escorregadio”, até
“mais venenoso” ou “mais capaz de viver sem água por semanas”. Ainda, as
criaturas nem sempre evoluem de uma maneira que podemos explicar como
adaptações. Seu caminho evolutivo pode ter mais a ver com mutações
aleatórias, ou características que outros membros daquela espécie acham
atraentes.
9. Escalas de Tempo Geológicas
Gill, cujo trabalho é centrado em ambientes Pleistocenos, que
existiram há mais de 15,000 anos, diz estar consternada pelo quão pouco
as pessoas parecem entender sobre as escalas de tempo do planeta. Uma questão com a qual eu frequentemente me deparo é a falta de
entendimento público das escalas de tempo geológicas. Qualquer coisa
pré-histórica é comprimida na mente das pessoas, que acham que há 20,000
anos existiam espécies drasticamente diferente das atuais (não), ou até
dinossauros (não, não, não). Aquelas miniaturas de plástico de
dinossauros que frequentemente incluem no mesmo pacote homens das
cavernas e até mamutes não ajudam muito.
10. Orgânico
A Entomologista Gwen Pearson
diz que há uma constelação de termos que “viajam juntos” com a palavra
“orgânico”, como “sem produtos químicos” e “natural”. Ela está cansada
de ver o quão profundamente as pessoas os interpretam errado.
Estou menos incomodada sobre a maneira como tais termos estão
tecnicamente incorretos [uma vez que toda comida é orgânica, por conter
carbono e etc…]. [Minha preocupação é] a maneira como eles são
utilizados para dispensar ou minimizar as diferenças reais na comida e
sua cadeia de produção.
Coisas podem ser “sintéticas” e fabricadas, porém seguras, e às vezes escolhas melhores. Se você está usando insulina, há boas chances de que seja de uma bactéria GMO. E ela está salvando vidas.
Dentes de Neandertais foram analisados à procura de
restos fósseis de alimentos. CSIC Comunicación.
A sofisticação dos Neandertais, aqueles humanos que conviveram
connosco na Europa e se extinguiram há cerca de 30 mil anos, não pára de
surpreender.
Agora, foi a vez de uma
equipe de cientistas de Espanha, Reino Unido e Austrália concluir, num
artigo publicado essa quinta-feira na revista Naturwissenschaften – The Science of Nature,
que não só os Neandertais comiam uma série de vegetais cozinhados, mas
que também percebiam o valor nutricional e medicinal de alguns deles.
Até
recentemente, pensava-se que os Neandertais comiam sobretudo carne, mas
uma série de novas análises, e o atual estudo em particular, desmentem
cada vez mais essa hipótese. “Embora a carne fosse claramente
importante”, diz em comunicado Karen Hardy, da Universidade Autônoma de
Barcelona, “os nossos resultados sugerem que a dieta dos Neandertais era
ainda mais variada e complexa do que imaginávamos.”
Hardy e
colegas analisaram, à procura de restos de vegetais, o material
encapsulado na placa dentária fossilizada de cinco Neandertais
provenientes da gruta de El Sidrón, nas Astúrias. Aquele local do norte
de Espanha contém a coleção de ossos mais completa da Península Ibérica
– cerca de 2000 fósseis, com idades entre os 47 mil e os 51 mil anos,
que pertenceram a pelo menos 13 indivíduos.
Combinando técnicas
avançadas de análise química com a análise morfológica dos microfósseis
vegetais, os investigadores conseguiram identificar na placa dentária
grânulos de amido, hidratos de carbono e vestígios de nozes, ervas e até
de verduras.
Mas mais ainda, duas das plantas identificadas nos
dentes de um dos indivíduos não só não tinham valor nutricional como têm
um desagradável sabor amargo. “O fato de este indivíduo ter comido
plantas amargas tais como milefólio e camomila, cujo valor nutricional é
muito baixo, é surpreendente”, explica em comunicado Stephen Buckley,
da Universidade de York. “Sabemos que os Neandertais achavam estas
plantas amargas [isto porque, num estudo anterior, estes cientistas já
tinham mostrado que os Neandertais de El Sidrón possuíam o gene dito do
“sabor amargo”, tal como muitos de nós]. “Portanto, é provável que
tenham selecionado essas plantas por razões não relacionadas com o
sabor.”
Essas razões, afirmam os cientistas, terão sido de ordem
medicinal. O milefólio contém azulenos, compostos conhecidos pela sua
ação anti-inflamatória e antifebril – e a camomila contém cumarinas,
substâncias que aliviam os edemas.
“O uso variado de plantas que
identificamos sugere que os Neandertais que viviam em El Sidrón tinham
um conhecimento sofisticado do seu meio natural, incluindo a capacidade
de selecionar e utilizar certas plantas pelo seu valor nutricional e
para se automedicar”, diz Hardy.
POR rlopes
Um trabalho primoroso feito por pesquisadores brasileiros e
publicado no fim do ano passado mostra como é complicada a realidade
biológica por trás das definições de “espécie” que a gente normalmente
usa. Em resumo, eles mostraram que três espécies de felinos selvagens da
América do Sul na verdade são quatro espécies - e que genes costumam
ser trocados com frequência entre esses bichos. Uma complicadíssima
forma de “troca de casais” entre espécies, em suma.
Quem quiser ter acesso à pesquisa completa, capitaneada por Eduardo
Eizirik, da PUC do Rio Grande do Sul, e por Tatiane Trigo, da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e assinada também por
Alexsandra Schneider, Tadeu de Oliveira, Livia Lehugeur, Leandro
Silveira e Thales Freitas, pode clicar aqui (infelizmente o acesso ao artigo científico é pago).
Pra entender esses estranhos amores felinos, vamos começar conhecendo nossos protagonistas na foto abaixo.
A) 'Leopardus
tigrinus', ou gato-do-mato-pequeno, do Sul e Sudeste; B) 'L. tigrinus'
do Nordeste;
C) 'L. geoffroy', ou gato-do-mato-grande; D) 'L. colocolo',
ou gato-palheiro.
Crédito: Projeto Gatos-do-Mato – Brasil.
OK, só reforçando o que já pus na legenda, temos, seguindo as letras da imagem: A) Leopardus tigrinus, ou gato-do-mato-pequeno, do Sul e Sudeste; B) L. tigrinus do Nordeste; C) L. geoffroy, ou gato-do-mato-grande; D) L. colocolo, ou gato-palheiro. (OK, sou só eu que só consigo pensar no time de
futebol chileno Colo-Colo quando vi o nome científico do último bicho?
Bem, deixa pra lá.)
Como ficou um tanto óbvio pelas descrições acima, achava-se que uma
única espécie de gato-do-mato-pequeno tinha uma ampla distribuição no
nosso país, da região Sul ao Nordeste, e chegando até partes da Amazônia
e dos países ao norte do Brasil. Já o gato-do-mato-grande seria um
bicho mais sulino, estando presente basicamente na região do Sul do
Brasil, na Argentina e um pouco mais ao norte. E o gato-palheiro, além
de estar presente também na Argentina e no Chile, por exemplo, invade
vastas áreas de cerrado no nosso país.
Isso significa que as distribuições geográficas de todas as três
espécies (na verdade quatro, como veremos) se interpenetram em vários
lugares. Cria-se, portanto, a situação ideal para que surjam as chamadas
zonas de hibridização - locais nos quais espécies proximamente
aparentadas acabem cruzando entre si. Sim, gentil leitor, espécies
diferentes às vezes se misturam na natureza, dadas as condições certas. E
não estamos falando de algo tipo burro/mula - às vezes esse tipo de
cruzamento produz descendentes férteis.
Bem, foi exatamente isso que a equipe brasileira descobriu estar
acontecendo, depois de uma série de análises de DNA das três espécies.
Para tentar apreender com o máximo de detalhes o fenômeno, eles
escolheram com cuidado os chamados marcadores — regiões do genoma cuja
análise pode trazer informações sobre o que se deseja estudar (pode ser
só a genealogia, como neste caso, podem ser outras coisas, como o risco
de desenvolver certas doenças).
Avaliando centenas de gatinhos (115
gatos-do-mato-grandes, 74 gatos-do-mato-pequenos e 27 gatos-palheiros),
os pesquisadores analisaram, por exemplo, o mtDNA (DNA mitocondrial),
nosso velho conhecido de blog, que está presente apenas nas mitocôndrias
(as usinas de energia das células) e só é passado pela linhagem
materna, de mãe para filha ou filho. Estudaram ainda os chamados
cromossomos sexuais, o Y (aquele que só é passado pelo lado paterno, de
pai para filho macho) e o X (que tanto machos quanto fêmeas têm). E,
claro, regiões de cromossomos “comuns”.
O resultado dessa trabalheira toda foi… uma doideira. Quem observa o
DNA dos gatos-do-mato-pequenos e dos gatos-do-mato-grandes do Sul e do
Sudeste vê uma hibridização extensa, com trechos de várias regiões do
DNA de uma espécie enxertados no genoma da outra, e vice-versa. A
mistureba é tamanha que animais identificados como membros de uma
espécie com base no aspecto físico na verdade parecem ter mais DNA da outra
espécie. No texto do artigo científico em inglês, os pesquisadores
chegam a usar a expressão “hybrid swarm” (algo como “enxame híbrido”)
para definir essa situação sui generis.
Quando se sobe um pouquinho no mapa, a situação fica um pouco menos confusa, mas ainda assim surpreendente. Simplesmente todos os gatos-do-mato-pequenos do Nordeste carregam mtDNA de gato-palheiro,
assim como boa parte dos gatos-do-mato-pequeno do Brasil Central. E é só
isso — não há outros sinais de hibridização. Por algum motivo que a
gente ainda desconhece, a “troca de casais” nesse caso envolveu apenas o
acasalamento de fêmeas de gato-palheiro com machos da outra espécie, e
os filhotes cruzaram com a espécie do pai, não com a da mãe. Alguma
incompatibilidade genética ou comportamental sutil talvez esteja por
trás disso. O nome técnico desse fenômeno, a inserção de apenas poucos
genes de uma espécie no patrimônio genético de outra, é “introgressão”.
E, finalmente, o mais esquisito: apesar das “puladas de cerca” com os
gatos-palheiros, os gatos-do-mato-pequenos do Nordeste não querem saber
de seus “primos” do Sul e do Sudeste, porque seu perfil genético é
bastante distinto dos deles, apesar de serem classificados como membros
da mesma espécie. Daí a proposta mais impactante do artigo:
classificá-los, de fato, como espécies separadas. O gato-do-mato
nordestino ficaria com o nome L. tigrinus, enquanto os do Sul-Sudeste
passariam a ser L. guttulus.
Abaixo, os mapas que tentam resumir toda essa bagunça (infelizmente em inglês; tento traduzir abaixo).
Mapas mostram distribuição geográfica e cruzamento entre espécies.
À esquerda, temos a distribuição das espécies reconhecidas hoje:
gato-do-mato-pequeno em vermelho, gato-do-mato-grande em azul,
gato-palheiro em área hachurada. À direita, o resumo das hibridizações:
cruzamentos muito comuns no Sul e no Sudeste (“gene flow” ou fluxo
gênico), mtDNA de gato-palheiro chegando aos gatos-do-mato do Nordeste e
do cerrado (“mtDNA introgression”) e, enfim, populações do Nordeste
isoladas em relação a seus primos mais ao sul (“no gene flow” ou nenhum
fluxo gênico).
Ufa. Resumo da ópera: além de uma nova espécie de felino brasileira
que ninguém teria pensado em procurar se não fosse o DNA, esse tipo de
trabalho deixa claro que, mesmo na natureza, é possível enxergar o
nascimento de novas espécies quase em tempo real. Esse tipo de fenômeno
deve ter sido a regra quando outras espécies estavam surgindo e se
consolidando. Após milhões de anos, com mudanças ambientais e
comportamentais, a barreira entre uma espécie e outra acaba se
solidificando - mas, no começo, ela tende a ser permeável.
Adaptação genética é chave para evitar doenças em humanos.
Estudo foi publicado na revista científica 'PNAS'.
Da France Presse
Píton-da-birmânia (ou birmanesa) capturada na Flórida em 2005 (Foto: AFP Photo/Robert Sullivan)
A píton-birmanesa é uma das criaturas mais avançadas evolutivamente da
Terra, revelou um estudo publicado nesta segunda-feira (3), uma
descoberta que pode trazer esperanças para o tratamento de várias
doenças que afetam os seres humanos.
"As serpentes parecem ter evoluído funcionalmente muito mais do que
outras espécies", disse David Pollock, da Universidade de Colorado
(oeste dos EUA), autor principal do estudo publicado na revista da
Academia Americana de Ciências, a "PNAS".
A descoberta pode permitir, no caso dos humanos, encontrar um meio de
deter mutações genéticas antes que estas causem doenças. Os cientistas
consideraram interessante como este réptil nativo do sudeste asiático é
capaz de comer criaturas tão grandes quanto ele próprio.
A píton birmanesa (Python molurus bivittatus) não só abre a
mandíbula para comer uma presa grande como um cervo, mas seus órgãos
chegam a crescer muito para digerir rapidamente o animal antes que ele
se decomponha.
Em questão de um ou dois dias, o coração, o intestino delgado, o fígado
e os rins da serpente aumentam de tamanho entre 35%-150%. Mas uma vez
digerida a comida, os órgãos encolhem e voltam ao tamanho normal.
'Fisiologia incrível'
A análise do genoma da píton birmanesa sugere que uma complexa
interação entre a expressão gênica, a adaptação das proteínas e as
mudanças na estrutura do genoma permite a estas serpentes fazer o que
outros, com os mesmos genes, não conseguem.
Entender como o corpo da serpente organiza estas mudanças importantes
em órgãos-chave pode oferecer uma nova compreensão dos mecanismos
existentes por trás de doenças humanas, como insuficiências de órgãos,
úlceras e transtornos metabólicos, entre outros, afirmou o co-autor do
estudo, Stephen Secor. "A píton birmanesa tem uma fisiologia incrível",
disse Secor, da Universidade do Alabama (sul).
"Com seu genoma, agora podemos investigar os muitos mecanismos
moleculares ainda sem explorar que ela usa para aumentar dramaticamente
sua taxa metabólica, deter a produção de ácido, melhorar a função
intestinal, e aumentar rapidamente o tamanho de seu coração, intestino,
pâncreas, fígado e rins", afirmou.
O estudo do genoma da píton birmanesa foi chefiado por Todd Castoe, da
Universidade do Texas (sul), e incluiu 38 co-autores de quatro países.