sexta-feira, 1 de abril de 2016

A guerra científica contra os gatos

Como a eliminação dos felinos em 83 ilhas do mundo todo beneficiou centenas de espécies

Manuel Ansede - 28 MAR 2016 - 12:06

Gato selvagem ataca uma ave na Austrália.


Em 25 de abril de 2006, há quase dez anos, um gato de rua apareceu na praia do Inglês, nas Ilhas Canárias (Espanha), carregando na boca o cadáver de um lagarto gigante de La Gomera. Havia apenas 50 animais em liberdade dessa espécie, que sofre uma grave ameaça de extinção. E não se tratava de uma exceção. Os gatos que invadem as matas e vagueiam pelas ilhas no mundo todo têm levado ao desaparecimento de pelo menos 22 espécies de aves, nove de mamíferos e duas de répteis, representando 14% do total de extinções de animais vertebrados registradas pela União Internacional de Preservação da Natureza.

 
Autoridades de todo o planeta iniciaram uma guerra secreta aos gatos das ilhas. Eles são capturados com armadilhas, envenenados com ceva de peixe, caçados com cães adestrados ou até mesmos mortos com tiros de espingarda, como já ocorreu em algumas ilhas do arquipélago equatoriano dos Galápagos. Os gatos selvagens já foram extintos em pelo menos 83 ilhas, como Santa Catalina (México), Baltra (Equador), Trindade (Brasil), além das ilhotas espanholas de Lobos e Alegranza, segundo o relatório mais recente, produzido há cinco anos.

Agora, um novo estudo atesta a eficácia dessa estratégia, que não deixa de ser polêmica de certa forma. O trabalho, encabeçado pela bióloga norte-americana Holly Jones, mostra que a extinção de mamíferos invasores (principalmente ratos, cabras e gatos) beneficiou 236 espécies animais nativas de 181 ilhas em todo o mundo. Quatro delas tiveram o seu nível de risco de extinção diminuído na Lista Vermelha de espécies ameaçadas da IUCN (sigla em inglês para União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais), segundo o detalhado estudo publicado na revista científica PNAS.


 
Na ilha Natividad, no México, a eliminação dos gatos selvagens foi crucial para a recuperação da pardela-culinegra, uma ave de 80 centímetros existente em algumas poucas ilhas do Oceano Pacífico. “Essa intervenção foi importante para que a espécie passasse da classificação de vulnerável para quase ameaçada” na Lista Vermelha, como destaca Heath Packard, porta-voz da ONG norte-americana Island Conservation, que participa do estudo. O mesmo aconteceu na ilha britânica de Asunción, no Atlântico, onde a eliminação dos gatos permitiu que o rabiforcado-de-Ascensão, uma ave em ameaça crítica de extinção, reocupasse o seu território.


“Nós, biólogos da preservação, também amamos os animais. A maior parte de nós tem dedicado suas carreiras a proteger a biodiversidade, mas também avaliamos que aceitar a persistência de mamíferos invasores nas ilhas é uma decisão que permite que as espécies nativas sejam atacadas e, em alguns casos, levadas à extinção”, explica Jones, da Universidade do Norte de Illinois.


O comum é fazer a eutanásia dos gatos retirados das ilhas, mas no Japão os gatos capturados foram esterilizados e colocados para doação
 
A bióloga lembra o caso de uma gata de um homem que chegou em 1894 à ilha de Stephens, na Nova Zelândia, para cuidar de seu farol. A gata, prenhe, fugiu e a sua prole acabou em poucos meses com todos os exemplares de garrinchas de Stephens, uma ave arredondada e incapaz de voar, que era própria daquela ilha. Hoje em dia restam apenas exemplares empalhados dessa espécie extinta.

As ilhas são paraísos da biodiversidade. São a casa de 15% das espécies terrestres do planeta, e nelas sobrevivem 37% das espécies sob ameaça crítica de extinção, segundo destaca a equipe de Jones.
 


Uma garrincha de Stephens empalhado.

O biólogo espanhol Manuel Nogales, do Grupo de Ecologia e Evolução em Ilhas do Consejo Superior de Investigaciones Científicas, vem propondo há anos a erradicação total de gatos selvagens nas ilhas com menos de 200 quilômetros quadrados. Sua equipe, quando trabalhava na Universidade de la Laguna, na Espanha, capturou com ceva de sardinhas, há mais de dez anos, os dez gatos que tinham invadido a ilhota de Alegranza, um refúgio para aves marinhas como a águia pescadora e a pardela-de-bico-amarelo. Em Lobos, também na Espanha, o único gato do local foi retirado.


Os gatos têm levado ao desaparecimento de pelo menos 22 espécies de aves, nove de mamíferos e duas de répteis
 
“Na Espanha e na Europa de um modo geral, as autoridades resistem em organizar campanhas pela erradicação dos gatos. Em outros países, a conscientização está mais avançada”, lamenta. Nogales, que não participou do novo estudo, faz um chamamento à ação: “Não podemos ficar de braços cruzados”. Ele e seu colega Félix Medina estão envolvidos em um estudo inicial para avaliar a possível eliminação dos gatos de La Graciosa, uma ilha canária, onde se realizaria a maior eliminação de felinos na Espanha. La Graciosa tem uma área de 30 quilômetros quadrados, o triplo de Alegranza e seis vezes mais do que a superfície da ilhota de Lobos.

Nogales admite que o comum é fazer a eutanásia dos gatos retirados das ilhas, mas aponta outras possíveis alternativas. “No Japão, os gatos capturados na ilha de Okinawa foram levados a Tóquio, esterilizados e colocados para doação”, relata.

“Em muitas ilhas do mundo onde há esses gatos invasores é imprescindível eliminá-los, para que acabar com a pressão que eles fazem sobre muitas espécies nativas ameaçadas por esse predador. Em outras ilhas, seria praticamente impossível, mas é possível adotar outras medidas, como a esterilização, a marcação ou mesmo a reclusão em casa, o que é quase impossível”, acrescenta Medina.

Fonte

 

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Falsa bióloga que atuava em prefeitura do RJ é denunciada

18/02/2016 18h40 - Atualizado em 18/02/2016 18h40
 
Ela coordenava o laboratório público de análises clínicas em Iguaba Grande.
Conselho de Biologia afirmou que ela usava diploma falso.

Do G1 Região dos Lagos


Uma mulher apontada como falsa bióloga está sendo investigada pelo Conselho Regional de Biologia (CRBio-02) em Iguaba Grande, na Região dos Lagos do Rio. Ela atuava na coordenação do laboratório de análises clínicas da Prefeitura e, de acordo com o conselho, usava um diploma falso da uma universidade de Cabo Frio.

Nesta quinta-feira (18), representantes do Conselho foram à faculdade para receber um ofício emitido pela instituição informando que toda documentação apresentada pela mulher é falsa. Entre os documentos falsificados estão histórico de graduação e certificado de conclusão do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas, que foram usados na emissão de um registro provisório.

De acordo com o fiscal Marcelo Figueiredo, a denúncia chegou ao Conselho Regional de Biologia em julho de 2014, e na época a mulher foi exonerada. Mas, de acordo com Marcelo, em agosto do mesmo ano ela foi recontratada pela prefeitura após apresentar uma falsa carteira provisória do CRBio.

Dando seguimento às investigações, a fiscalização do Conselho foi novamente à Prefeitura e a mulher não apresentou nenhum documento, já que a carteira provisória havia vencido em agosto de 2015. Novamente ela foi exonerada, mas o Conselho solicitou à faculdade onde ela teria se formado a comprovação dos documentos. Como resposta a universidade informou que a mulher abandonou a faculdade de ciências sociais no primeiro período, em 2008.

“A gente quer chamar a atenção dos gestores, responsáveis pela contratação desses profissionais, porque estão incorrendo no mesmo crime”, ressaltou Marcelo.

Em nota, a Prefeitura informou que exonerou imediatamente a funcionária após saber da denúncia. Segundo eles, foi exigido da profissional o registro no CRBio-RJ e ela apresentou a cédula de identidade de Bióloga ao RH.

A ocorrência de falsificação ideológica foi registrada pelo CRBio-02 na 129ª DP, onde os documentos dados pela faculdade foram entregues. O Ministério Público, que também investiga o caso, ainda não enviou nenhum posicionamento ao G1.



 

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Uma licenciatura não limita um Biólogo


Publicado por Yue Jheimes Sorrell em fevereiro 11, 2016

11040638_848204928611723_1638440509418064631_nDesde Darwin, sabemos que nossa ciência é uma empreitada coletiva que deve estar ligada a uma boa rede de contatos. Antes de deixar o Brasil, há aproximadamente 4 anos, Wesley Dáttilo, carioca – formado pela Universidade Estadual do Norte Fluminense sob a orientação do Prof. Richard Ian Samuels – já estabelecia sua rede. 

O convite para doutorado chegou quando faltava 3 meses para terminar o mestrado, em Ecologia e Conservação, pela UFMT sob a orientação do Dr. Thiago Izzo. ‘‘Era a oportunidade de trabalhar com um dos maiores especialistas e divulgadores das interações formiga-planta no mundo. Não são todos os dias que se recebe um convite desses, né?!’’. Hoje, quando concedeu essa entrevista por e-mail, Wesley Dáttilo é doutor em Comportamento Animal, pela Universidade Veracruzana (México) sob a orientação do Dr. Víctor Rico Gray. 

E atualmente, é pesquisador do Instituto Nacional de Ecologia (INECOL) no México, onde o interesse atual do seu laboratório é: ‘‘como as espécies e suas interações ecológicas variam no espaço e no tempo, e como estes são influenciados por distúrbios ambientais’’.  Seus estudos combinam história natural, modelagem estatística, sistemas de informação geográfica (GIS),  extensos inventários e experimentação no campo. Sendo conduzidos nas florestas tropicais, nebulosas e desertos do México e nas florestas e savanas tropicais do Brasil.

Suas pesquisas são consequência lógica das suas opções de diversão, pois, segundo ele: ‘‘Desde muito pequeno eu era biólogo e não sabia. Sempre tive muita curiosidade sobre as plantas, os animais e a natureza em geral. Ficava fascinado com os documentários na televisão mostrando a grande diversidade de formas de vida e de comportamentos existentes na Terra. Foi questão de tempo para eu crescer e saber que eu queria cursar Biologia’’.

Jheimes- Dr. Wesley Dáttilo, me permita fazer essas perguntas? 

Dr. Dáttilo: Será um prazer conversar um pouco com vocês.

Jheimes – O curso de Ciências Biológicas do campus da UNEMAT de Nova Xavantina Dr. Dáttilo, entre alguns fatores que podemos destacar, não é bem cotado entre os alunos, porque é um curso de licenciatura e muitos dizem: ‘‘Eu não quero ser professor’’. No entanto o senhor é licenciado, e é pesquisador do Instituto Nacional de Ecologia (INECOL) no México…

Dr. Dáttilo: Eu sempre falo que fazer uma licenciatura não limita um biólogo a apenas dar aulas. Um licenciado tem uma oportunidade dupla de carreira: ele pode dar aulas, mas também fazer pesquisa. Na maioria das universidades brasileiras a carga horária e a oportunidade de estágios são as mesmas para o bacharelado e para a licenciatura. Para mim, a grande diferença é a experiência que o aluno carrega ao longo da sua formação. Existem bacharéis que não tem experiência em pesquisa e licenciados com uma enorme experiência e vice-versa. Minha dica para o aluno que está cursando licenciatura e quer seguir a carreira de pesquisador é entrar em algum laboratório que faça ciência de ponta desde o início da graduação. É extremamente importante que o aluno desenvolva seu projeto pessoal de iniciação científica sob a orientação de um pesquisador, de forma que, com certeza, ao final da graduação o aluno estará pronto para continuar seus estudos de pós-graduação e seguir a carreira de pesquisador em qualquer universidade do mundo. Por outro lado, apesar dos baixos salários, não podemos esquecer também do déficit de professores existente no Brasil.
Existem bacharéis que não tem experiência em pesquisa e licenciados com uma enorme experiência e vice-versa.
Jheimes – Se um licenciado quiser seguir a carreira de pesquisador fora do país, quais são as recomendações?

Dr. Dáttilo: O aluno deve se aperfeiçoar ao máximo ao longo de sua formação, incluindo cursos de idiomas, artigos publicados, participações em congressos, uma grande rede de colaboração, experiência em docência e em divulgação da ciência. Lembre-se que quem vai te contratar no exterior possivelmente nunca ouviu falar de você. A diferença estará na sua carta de apresentação, e isso inclui toda a sua experiência profissional e o impacto da ciência que você produz. Portanto, é importante tentar somar “pontos” na maior diversidade de requisitos possível.

Jheimes – Thomas F. Glick, professor do departamento de História da Boston University, diz que: ‘‘o desenvolvimento da ciência na América Latina, raramente foi tranquilo ou linear no séc.XX’’. Falando especificamente do México – o que o senhor acha do desenvolvimento científico do país no séc. XXI?

Dr. Dáttilo: Eu concordo com o Prof. Glick. Nunca foi fácil e nunca será fácil fazer ciência na América Latina, isso porque temos uma demanda muito grande de prioridades imediatas e muitas pessoas não conseguem ver a importância da ciência para a solução dessas prioridades. Especificamente para o México, o país parece viver um “boom” de apoio a ciência. Não faltam apoios e bolsas para quem quer seguir com os estudos no país. Por exemplo, o México tem um programa de apoio a produtividade dos seus pesquisadores comparável aos países mais desenvolvidos do mundo. Um bolsista de produtividade no nível mais baixo no México (SNI 1) ganha mais que o dobro (em reais) do que um pesquisador no nível máximo (1A do CNPq) no Brasil. Além disso, existe uma verba dentro das instituições mexicanas de pesquisa que chega todo início de ano para o pesquisador gerenciar e fazer funcionar o laboratório ao longo do ano, independente de projetos externos. Recentemente, o presidente do México (Enrique Peña Nieto) veio com sua comitiva na instituição onde eu trabalho (INECOL) inaugurar um complexo de pesquisa (Campus III/BioMimic) que custou aproximadamente 35 milhões de dólares e que servirá como matéria-prima para o desenvolvimento de soluções imediatas para os problemas sócio-ambientais do país.
 Um bolsista de produtividade no nível mais baixo no México (SNI 1) ganha mais que o dobro (em reais) do que um pesquisador no nível máximo (1A do CNPq) no Brasil.
Jheimes- Pode traçar paralelos entre o desenvolvimento  científico do Brasil e México? 

Dr. Dáttilo: O México vive hoje seus anos de glória na ciência, com um apoio sem precedentes ao desenvolvimento cientifico e tecnológico do país. Isso me lembra o que aconteceu no Brasil há uns 3-4 anos, que inclusive financiou meus estudos de doutorado pleno no México. O que eu vejo hoje no Brasil é uma quantidade altíssima de cortes de recursos destinados à ciência e a educação brasileira como um todo. Eu espero que isso seja passageiro, assim como a crise que vem se instalando no Brasil. Tenho orgulho de ser brasileiro, amo meu país e quero ver o Brasil andando para frente, assim como todos meus colegas que exercem a profissão no Brasil. Apesar desse “boom” de desenvolvimento científico e tecnológico no México, eu realmente não sei quanto tempo vai durar. Mas pelo que eu vejo dentro dos diferentes níveis do governo mexicano, é que eles estão começando a entender o valor do apoio à ciência básica e aplicada para o desenvolvimento científico e tecnológico do país.
O que eu vejo hoje no Brasil é uma quantidade altíssima de cortes de recursos destinados à ciência e a educação brasileira como um todo.
Jheimes – Qual sua rede de contatos com a ciência Brasileira? 

Dr. Dátilo: Eu mantenho fortes laços com a ciência brasileira. Tenho uma grande e ativa rede de colaboração com pesquisadores em diferentes regiões do Brasil, principalmente dentro da: Universidade Federal de Mato Grosso, Universidade Federal de Uberlândia, Universidade Federal de Minas Gerais, Universidade Estadual de Feira de Santana, Universidade Federal do Paraná, Universidade de São Paulo, Universidade Federal de Ouro Preto, Universidade Estadual Paulista, e da Universidade Federal da Bahia. Eu também ministro disciplinas e tenho alguns estudantes cursando suas pós-graduações sob minha orientação em universidades brasileiras. Além disso, eu tenho um papel chave nas colaborações internacionais entre México e Brasil através do recrutamento de estudantes brasileiros e convênios institucionais, frutos de uma parceria que tenho com o CNPq.

Jheimes – Poderia nos falar um pouco sobre complexidade,  Teoria das Redes e suas aplicações dentro da Biologia? E como ela tem auxiliado no desenvolvimento das suas pesquisas?
 
Dr. Dáttilo: Complexidade compreende um amplo conjunto de conhecimentos cujo foco essencial é o estudo de sistemas complexos. Esses sistemas são compostos de diversos elementos que interagem entre si e geram novas qualidades no comportamento coletivo que não poderiam ser atribuídas aos elementos de forma individual. A Teoria de Redes nos fornece diferentes ferramentas que nos permitem estudar as relações e a dinâmica entre esses elementos com o objetivo de nos fornecer informações mais detalhadas sobre relações complexas do mundo que nos rodeia. Dentro da biologia nós temos diferentes sistemas complexos, como por exemplo, o código genético, através da transformação do genótipo para o fenótipo; as interações entre proteínas, que participam de diferentes funções vitais para um organismo; a comunicação entre células nervosas, entre outros. Eu recomendo a leitura de um artigo em 2008 chamado “Complexidade na Biologia”, escrito pelo italiano Fulvio Mazzocchi para o site científico EMBO-reports, da Nature.com. Eu uso a Teoria de Redes para compreender a dinâmica ecológica e evolutiva das interações entre plantas e animais. Meus estudos envolvem uma grande diversidade de sistemas complexos: desde interações microscópicas entre plantas, bactérias e fungos, até interações macroscópicas como por exemplo a polinização por abelhas e a dispersão de sementes por aves e macacos. O uso dessa ferramenta está permitindo ao nosso grupo de pesquisa descrever padrões e processos que regulam o funcionamento dos ecossistemas e como essa dinâmica é afetada por perturbações causadas pelo homem (ex. a fragmentação das florestas tropicais).

Jheimes – Em seu último artigo, ‘‘Sampling effort differences can lead to biased conclusions on the architecture of ant–plant interaction networks’’; o senhor diz ter ‘‘avaliado como a variação no esforço de amostragem afeta os descritores de rede mais frequentemente utilizados na literatura, onde estudou redes de interação entre formigas e plantas com nectário extrafloral em um ambiente tropical no Golfo do México’’. Qual a melhor estratégia para tentar avaliar a importância das interações das espécies para a organização da comunidade? 

Dr. Dáttilo: Para mim, a melhor estratégia para compreender a interação entre duas espécies é tentar desamarrar a complexa rede de interação que essas espécies estão envolvidas. Só dessa forma podemos entender o verdadeiro papel de cada espécie dentro de um ecossistema e prever como a perda dessa interação poderia afetar as demais espécies em um efeito cascata. Interações ecológicas regulam diferentes atributos de um ecossistema que vão desde a produtividade primária até a estrutura e estabilidade das populações biológicas. Muitas vezes nos preocupamos apenas na extinção das espécies e esquecemos da extinção das interações ecológicas que essas espécies desempenham no seu ambiente natural. A extinção de uma espécie é sempre ruim para a natureza. Entretanto, a extinção de uma espécie de abelha que poliniza apenas uma planta é diferente da extinção de uma espécie de abelha que poliniza dezenas de plantas.

Jheimes – Muitos artigos hoje, tem tentado ver o que ocorre, caso, algumas espécies sejam suprimidas, pois, elas são capazes de colocar toda a funcionalidade do sistema ecológico a baixo. A equipe de Carlos Peres, da Universidade Britânica East Anglia, publicou na PNAS ‘‘Dispersal limitation induces long-term biomass collapse in overhunted Amazonian forests’’, onde avalia redes mutualísticas –  a interdependência entre plantas e animais – com uma abordagem nova dentro da climatologia.  O problema segundo o pesquisador é que ‘‘essas árvores de grande porte dependem basicamente desses animais para terem suas sementes dispersas. Como elas têm troncos de alta densidade, são as que estocam mais carbono. Aos poucos, nas áreas de sobrecaça, essas espécies vão sendo substituídas por árvores de semente pequena e madeira leve, de baixa densidade, que estocam pouco carbono”. Quais são as suas prioridades para as pesquisas futuras na área de redes ecológicas, quando pensamos em Biologia da Conservação?

Dr. Dáttilo: Em um outro trabalho publicado recentemente na Science Advances (2015: e1501105) por brasileiros, finlandeses, colombianos e espanhóis, foi demonstrado que a extinção de grandes animais frugíveros afeta negativamente a capacidade das florestas tropicais de armazenar carbono e, portanto, o seu potencial para combater as mudanças climáticas. Logo, estudar a extinção das interações ecológicas é fundamental para compreender não apenas do funcionamento dos ecossistemas, mas também para modelar o futuro e a evolução de um ambiente sem essas interações. No ano passado nós publicamos um artigo  na revista holandesa Forest Ecology and Management mostrando como os programas de reflorestamento de espécies nativas e exóticas na Amazônia poderiam recuperar a estrutura das redes de interação formiga-planta. Os resultados fornecem uma ferramenta para os gestores de conservação, principalmente porque mostram que florestas secundárias criadas por regeneração natural podem ser um método eficiente e econômico para restaurar as interações formiga-planta em florestas tropicais. Recentemente nós começamos a desenvolver uma nova linha de pesquisa no nosso laboratório juntamente com colegas brasileiros, voltada exclusivamente para avaliar o efeito da fragmentação das florestas tropicais sobre as redes de interação planta-animal. Esperamos que nos próximos anos nós possamos contribuir um pouco mais sobre o entendimento de como as perturbações ambientais causadas pelo homem afetam a estrutura e as funções ecológicas das interações dentro de um ecossistema.
 Muitas vezes utilizamos a matemática como lei e não como uma ferramenta, e esquecemos dos processos biológicos que regem os nossos padrões biológicos observados. “Números soltos” não nos dizem nada dentro da Biologia. A Matemática é uma das inúmeras ferramentas que temos nas mãos. Mas nunca um computador ou um algoritmo poderá superar a essência de um biólogo. Podemos lembrar da grande revolução que Charles Darwin fez dentro da Biologia somente baseado nas suas observações.
Jheimes – Podemos notar que varias são as tentativas de compreender como diversos sistemas ecológicos funcionam em diversas situações, como mudanças climáticas, conservação e uso do solo ou espécies invasoras exóticas, e muitos pesquisadores tem usado as redes ecológicas – uma ferramenta legada da física e matemática. É a matemática o próximo microscópio da biologia, como Joel E.Cohen, diz no artigo publicado na PLoS Biology? 

Dr.Dáttilo: Existe uma diversidade enorme de ferramentas computacionais e matemáticas que podem nos abrir os olhos sobre alguns padrões e processos dentro da biologia. Entretanto, eu discordo um pouco do nosso colega biomatemático. Muitas vezes utilizamos a matemática como lei e não como uma ferramenta, e esquecemos dos processos biológicos que regem os nossos padrões biológicos observados. “Números soltos” não nos dizem nada dentro da Biologia. A Matemática é uma das inúmeras ferramentas que temos nas mãos. Mas nunca um computador ou um algoritmo poderá superar a essência de um biólogo. Podemos lembrar da grande revolução que Charles Darwin fez dentro da Biologia somente baseado nas suas observações. A matemática nos ajuda sim a abrir os olhos e explorar novos mundos, mas existem outros fatores de igual importância que nos ajudam dentro da Biologia. Portanto, eu penso que temos que trabalhar em conjunto com profissionais de diferentes áreas para desenvolver um trabalho de integração dos conteúdos da Biologia.

Jheimes – Por último, tem algo que o senhor gostaria de acrescentar?

Dr. Dáttilo: Eu agradeço a oportunidade de contar um pouco da minha trajetória. Eu gostaria de falar também das oportunidades que temos no nosso laboratório para receber estudantes brasileiros, para estágios e para cursar suas pós-graduações com bolsas de estudos do México e do Brasil. Estamos assinando convênios com inúmeras universidades brasileiras para encurtar essas relações e diminuir a burocracia envolvida. Eu convido todos a visitarem o nosso site www.wdattilo.bio.br !!! Lá nós divulgamos os nossos artigos publicados e as oportunidades. Eu também gostaria de felicitar o excelente trabalho de vocês. E por fim, eu gostaria de dar uma dica a todos que querem seguir adiante dentro da profissão: nunca desista dos seus objetivos… se dedique e corra atrás !!!


sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Se não fosse o SUS, o mundo não saberia da ligação entre Zika Virus e microcefalia

Janeiro 26, 2016
linha do tempo abre

Um Sistema integrado de Saúde pública, universal, e referência para o mundo todo. Isto é o SUS. E embora achemos que ele deva melhorar, não dá pra esquecer que na maioria dos países do mundo a Saúde é privada e quem não tem dinheiro acaba morrendo até de pneumonia, como é por exemplo o caso da Alemanha, do EUA e outros países. No Brasil, com o SUS, todo o atendimento público a saúde é gratuito, até mesmo complicados e caríssimos transplantes de órgãos. Mas um Sistema como o SUS, integrado, permite também identificar rapidamente doenças e relação de doenças com vírus, como acontece agora com o Zika Vírus, que provoca a microcefalia. Ali no Sistema ficam registrados os dados de todos os atendidos pela saúde em qualquer lugar do Brasil, o que permitiu identificar a ligação do Zika Vírus com a microcefalia, coisa que no resto do mundo ainda não havia ocorrido.  Agora, esta registrado, e com este registro identificado, é possível ao SUS e também a OMS – Organização Mundial da Saúde – alertarem a população sobre este vírus. Vai a seguir matéria do Blog da Saúde, do Ministério da Saúde, que mostra a identificação e a rápida reação do Governo Federal e dos órgãos federais e mundias da saúde. Então, ao contrário do que deixam transparecer algumas matérias publicadas na grande mídia, e até mesmo pela dificuldade de comunicação do governo, não se trata de falta de ação na saúde, mas sim de rápida e eficiente ação da saúde pública que permite sabermos e aí combatermos o Zika vírus pelo que ele provoca.
 
Desde que recebeu a notificação de um número atípico de bebês com microcefalia no estado de Pernambuco, o Ministério da Saúde tem concentrado esforços nas investigações dos casos. Da notificação até hoje, várias ações já foram realizadas, inclusive a confirmação da relação entre os casos de microcefalia e a infecção do Zika Vírus durante a gestação. O Ministério atua de forma integrada com as secretarias estaduais e municipais de saúde e conta com o apoio de instituições nacionais e internacionais.
 
Confira a linha do tempo das ações do Ministério da Saúde e as ações de destaque nestes quase três meses de investigações e pesquisas.
 
linha do tempo 

22 de outubro
Notificação e investigação dos casos de microcefalia em Pernambuco
Imediatamente após a notificação, uma Equipe de Resposta Rápida às Emergências em Saúde Pública do Ministério da Saúde – formada inicialmente por seis profissionais epidemiologistas – viajou para Recife para apoiar as Secretarias de Saúde do estado e dos municípios nas investigações de campo. O fato também foi comunicado à Organização Mundial de Saúde e Organização Pan-americana de Saúde, conforme os protocolos internacionais de notificações de doenças.

26 de outubro
Ministério da Saúde envia equipe para acompanhar a investigação dos casos no estado de Pernambuco. E a situação foi comunicada à Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e Organização Mundial de Saúde (OMS).

10 de novembro
Ativação do Centro de Operações de Emergência em Saúde (COES)
O Ministério da Saúde ativou o Centro de Operações de Emergência em Saúde (COES), em Brasília. Um mecanismo de gestão de crise, que reúne as diversas áreas para determinar resposta ao evento de forma que o assunto seja tratado como prioridade.

11 de novembro
Situação de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional
Diante da situação, o Ministério da Saúde declarou Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional para dar maior agilidade às investigações. O mecanismo está previsto em lei para casos de emergências em saúde pública que demandem medidas urgentes de prevenção, controle e contenção de riscos, danos e agravos à saúde pública.

13 de novembro
Primeiras orientações às gestantes
Para o início imediato da prevenção, o Ministério da Saúde lançou uma série de recomendações para as gestantes a fim de diminuir as infecções com o Vírus Zika.
Confira as orientações na matéria do Blog da Saúde (http://www.blog.saude.gov.br/agenda-ms/50345-orientacoes-as-gestantes-sobre-os-casos-de-microcefalia)

17 novembro
Boletim Epidemiológico de Microcefalia passa a ser divulgado semanalmente pelo Ministério da Saúde.
Divulgado o primeiro boletim epidemiológico sobre microcefalia. Até aquele momento, haviam sido notificados 399 casos da doença em recém-nascidos de sete estados da região Nordeste.

18 de novembro
Formulário online notificação imediata das secretarias de saúde
Para aumentar a eficiência da notificação dos casos de microcefalia foi disponibilizado um formulário online para o uso dos gestores e profissionais de saúde de cada estado. Foi acionado o Grupo Estratégico Interministerial de Emergência em saúde Pública de Importância Nacional e Internacional

28 de novembro
Confirmação da relação entre o vírus Zika e a microcefalia
Um exame em um bebê que faleceu pouco após o nascimento no Ceará com microcefalia e outras malformações congênitas confirmou a relação entre o vírus Zika e o surto de microcefalia. O Instituto Evandro Chagas identificou em amostras de sangue e tecidos a presença do vírus Zika. Foi uma descoberta inédita na pesquisa científica mundial e fundamental para dar continuidade aos esclarecimentos sobre questões como a transmissão desse agente, a sua atuação no organismo humano, a infecção do feto e período de maior vulnerabilidade para a gestante.

04 de dezembro
Chegada das Forças Armadas em Pernambuco

05 de dezembro
Plano Nacional de Enfrentamento à Microcefalia
O Plano criado pelo Grupo Estratégico Interministerial de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional e Internacional (GEI-ESPII), envolve 19 órgãos e entidades e abrange três eixos: Mobilização e Combate ao Mosquito; Atendimento às Pessoas; e Desenvolvimento Tecnológico, Educação e Pesquisa. Essas medidas emergenciais foram colocadas em prática para intensificar as ações de combate ao mosquito.

08 de dezembro
Protocolo emergencial de vigilância e resposta aos casos de microcefalia relacionados à infecção pelo Zika
Foi lançado o protocolo emergencial de vigilância e resposta aos casos de microcefalia relacionados à infecção pelo Zika com o objetivo de passar informações, orientações técnicas e diretrizes aos profissionais de saúde e equipes de vigilância. O protocolo orienta a definição de casos suspeitos de microcefalia durante a gestação, caso suspeito durante o parto ou após o nascimento, critérios para exclusão de casos suspeitos, sistema de notificação e investigação laboratorial.

09 de dezembro
Reunião da presidenta Dilma Rousseff com os governadores.

11 de dezembro
Envio de larvicida para os estados
O Ministério da Saúde enviou larvicida aos estados do Nordeste e Sudeste em quantidade suficiente para tratar um volume de água equivalente a 3.560 piscinas olímpicas. As 17.9 toneladas do produto utilizado para eliminar as larvas do mosquito Aedes aegypti são suficientes para proteger 8.9 bilhões de litros de água. O larvicida é utilizado quando não é possível eliminar o foco de água parada, local de reprodução do mosquito.
Início das atividades da Sala Nacional de Coordenação e Controle

14 de dezembro
Protocolo de Atenção à Saúde e Resposta à Ocorrência de Microcefalia Relacionada à Infecção pelo Vírus Zika
O Ministério da Saúde lançou o Protocolo de Atenção à Saúde e Resposta à Ocorrência de Microcefalia Relacionada à Infecção pelo Vírus Zika, que orienta o atendimento desde o pré-natal até o desenvolvimento da criança com microcefalia, em todo o País. O principal objetivo do Protocolo é orientar as ações para a atenção às mulheres em idade fértil, gestantes e puérperas, submetidas ao vírus Zika, e aos nascidos com microcefalia.

17 de dezembro
Esclarecimento de boatos da internet
Para esclarecer os boatos que circularam nas redes sociais, nos aplicativos de bate-papo e informar a população, o Ministério da Saúde intensificou as ações redes. Confira a matéria publicada no Portal Saúde (http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/cidadao/principal/agencia-saude/21291-ministerio-esclarece-boatos-sobre-virus-zika).

18 de dezembro
16 laboratórios em funcionamento para diagnostico Zika
O Ministério da Saúde capacitou 11 laboratórios públicos para realizar o diagnóstico de Zika, além das cinco unidades referência no Brasil que já realizavam este tipo de exame. Totalizando 16 centros com o conhecimento para fazer o teste.

07 de janeiro
Reforço no combate ao Aedes aegypti no Mato Grosso do Sul
Foram reforçadas, no Mato Grosso do Sul, as ações de combate ao Aedes aegypti. O Plano Emergencial de Vigilância do Combate ao Aedes aegypti no Estado do Mato Grosso do Sul previa um levantamento de focos do mosquito por região. O levantamento foi nserido no sistema e-Endemias do estado, e as informações – como dados de procedimentos de combate, controle, prevenção e redução do índice de infestação do mosquito -, serviram para nortear as ações que serão desenvolvidas em cada município.
08 de janeiro

Plano Emergencial de Enfrentamento às doenças transmitidas pelo Aedes aegypti é lançado no Maranhão
O estado do Maranhão lançou o Plano Emergencial de Enfrentamento às doenças transmitidas pelo Aedes aegypti. Com objetivo de fortalecer a rede de assistência à saúde para o enfrentamento da dengue, chikungunya e Zika. O plano estadual visou programar ações e metas com a finalidade de interromper em curto prazo a transmissão das doenças por meio do controle do vetor.

13 de janeiro
Lançamento das diretrizes para estimulação precoce de bebês com microcefalia
O Ministério da Saúde disponibilizou, a todos os profissionais e gestores do país, as Diretrizes de Estimulação Precoce: Crianças de 0 a 3 anos com atraso no desenvolvimento neuropsicomotor decorrente de microcefalia. São orientações aos profissionais das equipes da Atenção Básica e Atenção Especializada para a estimulação precoce. O conteúdo é direcionado às crianças com microcefalia, podendo ser aplicado ainda a outras condições ou agravos de saúde que interfiram no desenvolvimento neuropsicomotor.

15 de janeiro
Governo federal destina R$ 500 milhões extras para combate ao Aedes aegypti e a microcefalia
A presidenta Dilma Rousseff sancionou recurso de R$ 1,27 bilhão para o desenvolvimento das ações de vigilância em saúde, incluindo o combate ao mosquito Aedes aegypti, em 2016. A este montante será adicionado R$ 600 milhões destinados à Assistência Financeira Complementar da União para os Agentes de Combate às Endemias. Para intensificar as ações e medidas de vigilância, prevenção e controle da dengue, febre chikungunya e Zika também foi aprovado R$ 500 milhões extras, sobretudo, por conta da situação de emergência em saúde pública de importância nacional que o país vive.

16 de janeiro
Ministério da Saúde encomendou 500 mil testes para diagnóstico de zika, chikungunya e dengue

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

A verdade sobre o colesterol: O acusado de sempre talvez não seja tão maléfico assim!

O colesterol é, tanto um lipídio (gordura) quanto um esterol. Ele percorre toda a corrente sanguínea, junto com os triglicérides e os fosfolipídios. Juntos, os três são conhecidos como uma lipoproteína. Há dois tipos de lipoproteínas - de alta densidade (HDL) e de baixa densidade (LDL). O primeiro tem uma proteína superior à proporção de gordura, enquanto o último, menor.
 
Se houver excesso de gordura e colesterol no sistema, haverá muitas LDLs, e, ao invés de fornecerem o colesterol necessário, elas vão começar a depositar colesterol extra nas artérias, podendo causar aterosclerose, bloqueios coronários e ataques cardíacos.
 
Uma pesquisa mostrou, repetidamente, uma ligação entre a proteína C-reativa (CRP), um "marcador de inflamação no corpo", e doenças do coração. E, embora o debate ainda esteja em aberto, muitos acreditam que a CRP possa ser um melhor indicador para o desenvolvimento de doenças cardíacas do que altos níveis de colesterol "ruim" (LDL).

O colesterol tem sua importância. Necessário para uma variedade de funções, quase todas as células do organismo podem produzir o seu próprio colesterol. E eles se autorregulam na produção. Embora as células possam produzir o colesterol, o fígado é o maior produtor, gerando a quantidade suficiente para compartilhar com todas as partes do corpo.
 
O que o corpo necessita para fazer colesterol é carbono, presente numa grande variedade de alimentos, incluindo gorduras, proteínas e hidratos de carbono. Na verdade, você pode ter uma dieta completamente livre de colesterol, e seu corpo ainda pode produzi-lo.
 
 
O colesterol é necessário para a produção de vitamina D. A fim de transformar a luz solar em vitamina D, necessária para um sistema imunológico saudável e ossos fortes, o corpo mantém a forma de colesterol em sua pele, que absorve a radiação do sol e a converte em uma substância que faz o fígado funcionar na produção de hidroxivitamina D. Este último é, em seguida, enviado para os rins, que a convertem em vitamina D.
 
Da mesma forma, os esterois de colesterol (álcoois esteróides) são elementos essenciais para a criação de hormônios sexuais humanos (que são esteroides), que incluem estrogênio, progesterona e testosterona.
 
O colesterol também é necessário para formar o revestimento exterior de células, além disso, o corpo converte o colesterol em sais biliares que são secretadas na bile, posteriormente.
 

A bile quebra as gorduras no trato digestivo, transformando as gorduras em tamanhos adequados para interagir com enzimas digestivas, e também ajuda o intestino delgado a absorver gorduras.

Muitos costumam dizer que doenças cardiovasculares atingem, principalmente, pessoas com colesterol alto. Porém, de acordo com o cirurgião cardíaco, Mehmet Oz, menos da metade das pessoas que entram em hospitais com doenças cardiovasculares possuem colesterol alto. 
Da mesma forma, nem todos que possuem altos níveis de “bom colesterol” são menos propensos a ter um ataque cardíaco. Em um estudo de 2012, publicado no The Lancet, revelou-se que quando uma pessoa tem alto HDL devido à predisposição genética, não há um risco menor de um ataque cardíaco.
 
Outra coisa que poucos sabem, é que a influência dos alimentos ricos em colesterol no sangue, não é tão grande quanto se pensa. As gorduras saturadas são muito piores.
 
Acredita-se que o maior contribuinte para a inflamação e doenças cardíacas, seja o carboidrato com alto índice glicêmico, ou seja, que transforma açúcar em glicose no sangue. O aumento adicional da glicose estimula a inflamação, a produção de gordura e resistência à insulina, segundo pesquisa recente.
 
Um estudo de 2003 analisou 4.521 homens e mulheres com idades entre 65 e 94 anos, e revelou que, em vez de o colesterol elevado ser culpado pela expectativa de vida mais curta, o baixo colesterol foi mais relacionado com isso. A morte prematura foi maior, em quem tinha níveis menores.
 

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

A mercantilização do licenciamento ambiental como origem dos desastres ambientais


November 9, 2015

Personalidade Sustentável

É triste escrever este texto, mas precisamos ser realistas e analisar a fundo o que realmente acontece no gerenciamento ambiental deste país. Desde o início dos meus estudos na área de licenciamento ambiental escutei de meus professores - muitos deles, técnicos licenciadores de órgãos ambientais - que o processo de licenciamento ambiental acaba sendo uma mera burocracia, ou seja, no fundo, não se cuida ou protege o meio ambiente  e muito menos a sociedade através deles.

Quando acontece um desastre como o da barragem de rejeitos da mineradora que se rompeu recentemente desabrigando e matando inúmeras pessoas eu sinto vontade de ter acesso a cada discussão que aconteceu no processo de licenciamento ambiental. Gostaria de ver cada atitude negligente , casa tenha existido, com nome  e número de documento de cada um. Tudo isso para que cada omisso e irresponsável junto com a empresa pague aos desabrigados e afetados por este dano que chega a ser ridículo de tão grave que é. Milhares de pessoas ficarão sem água ou pior consumirão água tóxica, isso não pode simplesmente ser esquecido em alguns meses.

Foto: Reprodução de: HUGO CORDEIRO/AGENCIA NITRO/ESTADÃO CONTEÚDO
Este acidente deve se tornar um divisor de águas entre o que queremos e o que não queremos passar e deve nos fazer repensar a que custo vamos continuar consumindo tendo como base atividades de tão alto risco como o caso desta mineradora. Eu, você, todos nós consumimos produtos que dependem de atividades de mineração para existir, talvez seja hora de pensarmos em como deixar de consumir estes produtos ou pelo menos reduzir.

Temos diversos processos, em andamento,  de licenciamento ambiental de mineração em áreas de produção de água, por exemplo, na região metropolitana de São Paulo  em áreas de proteção de mananciais. A pergunta que eu te faço leitor é muito simples, você quer beber água ou minério? Enfim eu acredito que os estudos precisam ser mais aprofundados, não dá para contar com técnicos que apenas afirmam que mineração é utilidade pública; ok é utilidade pública , mas do que eu abro mão quando opto por certos tipos e locais de mineração? da água? da minha casa? da minha saúde?

Os empreendimentos precisam ser mais seriamente discutidos. No caso do minério de ferro este  é a matéria-prima do aço, que por sua vez  é usado na produção de ferramentas, máquinas, veículos de transporte, linhas de transmissão de energia elétrica, e mais uma infinidade de coisas importantes para o dia a dia da sociedade . Enfim eu não tenho , ainda, uma posição contrária a mineração, mas não gosto da maneira como os processos de licenciamento ambiental dela têm sido conduzidos. Precisamos mudar.

O licenciamento ambiental se tornou um mercado em que grupos políticos  manipulam os processos e infelizmente existem técnicos dispostos a assinar, emitir pareceres irresponsavelmente  sendo a favor de atividades e empreendimentos que são altamente degradadores e desprotegem a população, com o único objetivo de garantir o mercado de pseudo políticos que buscam propina e votos.

Parece que não, mas uma reforma política decente - não esta ridícula recentemente em andamento no legislativo - poderia ajudar inclusive a reduzir a mercantilização do licenciamento ambiental; uma coisa leva a outra.

Enfim, ainda não sabemos até que ponto houve corrupção, vista grossa e culpa em relação ao ocorrido, mas obviamente empreendimentos como este não podem mais existir. Precisamos achar alternativas ao nosso atual sistema de desenvolvimento; sistema este que claramente é uma porcaria. 

Fonte

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Revista editada por docente da UEPB é indexada à maior base de documentos científicos do mundo

30 out 2015
 


A Revista “Ethnobiology and Conservation”, publicação científica editada pelos professores Rômulo Alves, da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e Ulysses Albuquerque, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), acaba de ser indexada na Scopus, a maior base de dados e documentos científicos do mundo, que conta com 46 milhões de registros, aproximadamente 19.500 títulos de 5 mil editoras ao redor do mundo.
 
A inclusão de novos periódicos na base é feita mediante cuidadoso processo de análise do conteúdo publicado. Os editores consideram que a aceitação e o ingresso da Ethnobiology and Conservation na base é um reconhecimento de sua relevância científica na área de etnobiologia e conservação da natureza.
 
“É um reconhecimento importante para nossa revista, que conta com um corpo editorial formado por vários pesquisadores do Brasil e do mundo, o que tem contribuído para que a revista cumpra um papel importantíssimo na produção do conhecimento científico”, afirma o professor Rômulo Alves.
 
Ele ressalta a que a indexação na base Scopus é uma conquista fundamental para qualquer revista cientifica que busca alcançar um padrão de qualidade internacional, uma vez que confere maior visibilidade aos pesquisadores que publicam na revista. Para ilustrar isso, o professor ressalta que o Sistema QUALIS-CAPES, que avalia a produção cientifica dos programas de pós-graduação no Brasil, considera a indexação nessa base de dados como um dos fatores indicativos de qualidade dos periódicos científicos.
 
“Ficamos contentes pelo fato de nossa revista, apesar de ainda jovem, ter alcançado um padrão de qualidade internacional”, comentou o professor Ulysses Albuquerque. Ressalta-se que todo o conteúdo publicado na revista, a partir do ano de sua criação, foi totalmente indexado.
 
Além do Scopus, Ethnobiology and Conservation está registrada em outras bases de dados como Latindex, Index Copernicus, Google Scholar e GFMER. Atualmente, a revista está em avaliação pela Thomson Scientific (ISI Web of knowledge, Science Citation Index, Web of Science.
 
Sobre a Revista
Ethnobiology and Conservation publica contribuições originais em todos os campos da etnobiologia e conservação da natureza. Faz parte do escopo da EC contribuições envolvendo conhecimento ecológico tradicional, ecologia humana, etnoecologia, etnofarmacologia e antropologia ecológica, história e filosofia da ciência. Contribuições na área da Conservação da Natureza podem envolver estudos que normalmente situam-se no campo dos estudos ecológicos tradicionais, como também em biologia vegetal e animal, etologia, manejo de fauna e flora, aspectos éticos e legais voltados para a conservação da biodiversidade.

Todavia, todos os textos devem explicitamente enfocar a sua contribuição para a conservação da natureza. Textos meramente descritivos sem uma discussão teórica contextualizada dos achados, embora possam ser aceitos, não recebem prioridade para publicação. Mais detalhes sobre a revista e artigos publicados, podem ser obtidos através do link http://ethnobioconservation.com/index.php/ebc/issue/current.

Colaboração: professor Rômulo Alves

 
 

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